O cacique Raoni Metuktire, ativista e indígena brasileiro, alertou esta sexta-feira o Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, sobre alegadas “mentiras” contadas pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que prometeu erradicar a desflorestação da Amazónia até 2030.

“Ele contou muitas mentiras”, disse o indígena brasileiro num vídeo publicado nas redes sociais pelo Instituto Raoni.

“Se esse mau Presidente te falar algo, ignore. Ele quer permitir o desflorestamento e estimular a invasão de nossas terras”, acrescentou Raoni, na mensagem de quatro minutos endereçada a Joe Biden, gravada em sua língua Kayapó e legendada em inglês e português.

Raoni também pediu ajuda ao Presidente norte-americano “para encontrar um caminho, uma solução para preservar o meio ambiente”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ajude-me e eu ajudarei você também, para que possamos fazer coisas boas. Não consigo pronunciar o seu nome, mas você me conhece. Meu nome é Raoni e não estou aqui para brincar. Sempre lutei pela floresta”, destacou o líder indígena brasileiro.

“Estou triste porque tudo o que tenho feito pelo meio ambiente está cada vez mais ameaçado”, resumiu o cacique de 90 anos, que foi internado duas vezes no ano passado, a primeira por uma úlcera gástrica e a segunda vez após ser infetado pelo novo coronavírus.

Na quinta-feira, Jair Bolsonaro enviou uma mensagem a Joe Biden, uma carta de sete páginas em que pede ajuda financeira da comunidade internacional para cumprir os compromissos assumidos pelo Brasil durante o Acordo do Clima de Paris em 2015.

A carta foi enviada uma semana antes da cimeira virtual do clima organizada por Biden, com cerca de 40 líderes mundiais, incluindo o Presidente brasileiro.

Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder, em janeiro de 2019, a desflorestação e os incêndios florestais na Amazónia atingiram níveis extremamente preocupantes.

No seu primeiro discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro de 2019, o líder brasileiro criticou fortemente Raoni, acusando-o de ser pago por potências estrangeiras que ameaçavam a soberania do Brasil.

Em janeiro, o cacique pediu ao Tribunal Penal Internacional que investigasse “crimes contra a humanidade” alegadamente perpetrados por Bolsonaro, acusando-o de perseguir os povos indígenas com a destruição de seu ‘habitat’ e a violação de seus direitos fundamentais.