Os adversários não eram teoricamente os mais fáceis mas, depois do (consentido) empate com o Torino no dérbi com um golo de Ronaldo já no último quarto de hora, a Juventus conseguiu reagir e derrotou no Allianz Stadium o Nápoles e o Génova. No entanto, e apesar do último triunfo, a frustração de Cristiano Ronaldo tornou-se mais evidente com um gesto do avançado ao atirar a camisola para o chão. Por um lado, aquela atitude foi um reflexo do que se passou em jogo: muitos remates, várias defesas, uma bola no poste, nenhum golo apesar de inúmeras tentativas; por outro, e num plano mais coletivo, os bianconeri sentiam que cumpriam a sua parte para seguir ainda na luta mas o Inter não facilitava, somando a nona vitória consecutiva na Serie A umas horas antes e mantendo uma série que começou desde a eliminação nas meias da Taça de Itália com a Vecchia Signora.

“É normal, ele queria muito ter marcado sobretudo numa altura em que o jogo estava a tornar-se complicado. Ele é um campeão e quer sempre deixar a sua marca”, relativou o técnico da equipa, Andrea Pirlo, recusando qualquer tipo de punição pelo gesto. Mas esse seria apenas um capítulo num dia com várias incidências.

Segundo a Gazzetta dello Sport, o português deu alguns murros na parede do balneário, tomou banho de forma rápida e seguiu para casa sem falar com ninguém, após uma partida onde chegou a criticar companheiros de equipa por não lhe fazerem chegar a bola e também Perin, guarda-redes que passou pela Juventus a quem o número 7 acusou de estar a mentir num lance de choque entre ambos. Vontade de deixar a sua marca no jogo, frustração por não ter ajudado a equipa ou ansiedade de sair no final da época, houve de tudo um pouco na imprensa italiana nos dias que se seguiram, com jogadores como Chiellini a saírem em defesa do capitão da Seleção. “Se o problema da Juventus é Cristiano Ronaldo, quem me dera ter mais problemas desse tipo. Não podemos pensar naquilo que aconteceu e naquilo que pode acontecer, é com ‘ses’ e mais ‘ses’ que perdemos a atenção. Devemos chegar à posição mais elevada possível, que talvez seja a segunda, porque o Inter está longe, mas é para lá que apontamos”, comentou o experiente defesa em entrevista à Sky Sport de Itália.

Para isso seguia-se um dos jogos mais complicados até ao final do Campeonato, em Bérgamo frente à sempre difícil Atalanta, e com essa má notícia na véspera trazida por Andrea Pirlo, que deixou Ronaldo fora da lista de convocados para a partida (voltando a chamar o jovem Félix Correia). “O problema surgiu logo na segunda-feira depois do último jogo e tentou um treino mais diferenciado nos últimos dias mas não conseguiu aumentar o ritmo como queria. Entendemos que o apropriado seria tomar esta decisão. Falámos com ele e com o médico, seria demasiado arriscado levá-lo a jogo. O Cristiano sempre esteve em excelente condição. Infelizmente, os três jogos que fez por Portugal levaram a esta acumulação de jogos. Ele próprio me explicou que só devia ter jogado dois encontros, a culpa foi do golo que não foi assinalado diante da Sérvia, que obrigou a que estivesse no encontro seguinte [com o Luxemburgo]. Se Portugal tivesse vencido a Sérvia, ele teria voltado mais cedo. É normal que a acumulação de viagens e compromissos leve a esta fadiga”, explicou o treinador.

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Era neste contexto que a Juventus tentava a terceira vitória consecutiva, frente a um conjunto de Gasperini que tentava pela terceira temporada seguinte um lugar de acesso à Liga dos Campeões e que sabia que uma vitória diante do (ainda) campeão transalpino valeria pelo menos a subida à terceira posição da Serie A. E foi neste contexto que a Juventus sentiu mais do que nunca a falta do seu goleador: num encontro onde teve mais posse e mais passes mas enquadrou apenas um remate com a baliza em 11 tentativas, o conjunto bianconeri perdeu com um golo a três minutos do final do suplente Malinovskyi e desceu ao quarto lugar, dizendo de vez adeus ao título e tendo mesmo a Champions em risco com três pontos de vantagem mas mais um jogo do que o Nápoles.

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