Uma residente de Damasco tornou-se a primeira mulher a concorrer às eleições presidenciais na Síria, anunciou esta terça-feira o presidente do parlamento sírio.

As eleições presidenciais, as segundas desde o início da guerra civil no país há dez anos, são vistas como uma votação simbólica para a reeleição do Presidente, Bashar al-Assad. O escrutínio decorre em 26 de maio e os sírios que residem no estrangeiro votam em 20 de maio.

O presidente do hemiciclo, Hammoud Sabbagh, disse que Faten Ali Nahar, 50 anos e residente em Damasco, designou-se a si própria como candidata ao cargo.

Pouco se conhece sobre Nahar, tendo o presidente do parlamento revelado a sua idade, local de nascimento e o nome da mãe. Não existem informações de que possua contas em redes sociais, indica a agência noticiosa Associated Press (AP).

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O Tribunal constitucional da Síria recebeu na segunda-feira os primeiros registos de potenciais candidatos às eleições presidenciais, um escrutínio que parece assegurado para o Presidente Al-Assad, no poder há duas décadas no país em guerra.

As candidaturas são aceites até 28 de abril pelo tribunal, que de seguida verificará se preenchem as condições exigidas num escrutínio agendado para cerca de um mês depois.

Todas as candidaturas são obrigadas a obter o apoio de 35 deputados entre os 250 parlamentares, quase todos conotados com o partido Baas de Assad. Assad, 55 anos, ainda não anunciou a recandidatura.

O Presidente subiu ao poder em 2000, após a morte do seu pai Hafez al-Assad, que esteve na liderança da Síria durante três décadas.  As eleições vão decorrer nas regiões controladas pelo poder, cerca de dois terços do país.

Em 2014, Assad venceu as eleições com mais de 88% dos votos. Apenas dois outros candidatos se apresentaram ao escrutínio, desconhecidos pela maioria da população e considerados como um meio para legitimar a recondução do Presidente.

A lei eleitoral impede que se apresentem figuras da oposição no exílio, ao prever que cada candidato, “no momento da apresentação da sua candidatura, deve ter vivido na Síria de forma contínua durante um período de 10 anos”. A legitimidade destas eleições continua a ser contestada por diversos atores internacionais.

De acordo com a resolução da ONU para uma resolução política do conflito na Síria (mais de 388.000 mortos desde 2011), deverá ser redigido um novo projeto de Constituição, e aprovado em referendo, antes da convocação das presidenciais monitorizadas pelas Nações Unidos.

No entanto, registaram-se poucos progressos no comité de redação do texto constitucional, enquanto Assad continua a registar o apoio da Rússia e do Irão.

Em março, a administração do Presidente dos EUA, Joe Biden, informou que apenas reconheceria os resultados no caso de uma “eleição livre e justa”, supervisionada pela ONU e por representantes de todos os setores da sociedade síria.