Um funcionário não vacinado de um lar no Kentucky (Estados Unidos) provocou um surto de SARS-CoV-2 na estrutura residencial resultando em 46 infetados entre residentes e profissionais, noticiou o jornal The New York Times. Três residentes acabaram por morrer na sequência do surto de março de 2021.

Entre os 26 residentes infetados, 18 tinham sido vacinados, mas entre os 20 funcionários infetados, apenas quatro tinham tomado a vacina. Neste lar, 75 dos 83 residentes estavam totalmente vacinados, mas apenas 61 dos 116 cuidadores tinham tomado as duas doses da vacina, que o jornal diz ser consequência da resistência à vacinação por parte destes profissionais.

A vacinação dos trabalhadores dos lares, incluindo os profissionais de saúde, é crítica para reduzir o risco de introdução, transmissão e consequências graves causadas pelo SARS-CoV-2 nestas estruturas. Um foco contínuo nas práticas de prevenção e de controlo das infeções também é essencial”, escreveram os autores do estudo publicado pelos Centros de Controlo e Prevenção da Doença norte-americanos (CDC).

Os 22 infetados vacinados, que tinham recebido a última dose há mais de 14 dias, não desenvolveram sintomas ou não necessitaram de ser hospitalizados, com exceção de um residente vacinado que acabou por morrer. Já entre os não vacinados, quatro dos seis residentes infetados foi hospitalizado, dois morreram, incluindo um que já tinha estado infetado antes (há cerca de 10 meses).

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“Isto destaca a importância da recomendação do Comité Consultivo em Práticas de Imunização de que todas as pessoas, incluindo aquelas que recuperaram da Covid-19, sejam vacinadas”, escreveu a equipa composta por especialistas do CDC e do Departamento de Saúde Pública do Kentucky.

Reino Unido, África do Sul e Brasil. Erik e Nelly, as mutações que fazem temer as três novas variantes do coronavírus

Os autores do estudo destacam que a variante (R.1) do coronavírus, que causou o surto, ainda não tinha sido detetada no Kentucky e que a infeção de pessoas vacinadas pode mostrar que a vacina é menos eficaz contra esta variante.

Entre as mutações de interesse, que afetam a proteína spike (que o vírus usa para entrar nas células humanas), estavam: a D614G, que dominava a Europa e os Estados Unidos e aumenta a transmissibilidade; a E484K, presente na variante sul-africana (B.1.351) e brasileira (P.1) e que parece permitir ao vírus escapar-se aos anticorpos; e a W152L, que também pode reduzir a eficácia dos anticorpos neutralizantes.