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Florian Zeller, dramaturgo e escritor francês, resolveu pegar numa peça de teatro que o próprio escreveu, “O Pai”, e transformá-lo num drama cinematográfico, o seu primeiro filme (estreia-se em Portugal esta quinta-feira, dia 6 de maio), um labirinto sobre demência com 1h30 de duração, convidando Anthony Hopkins, cavaleiro do reino e — nas palavras do realizador — “o maior ator vivo”, no pico da sua forma aos 83 anos de idade, para  fazer, provavelmente, o papel da sua vida. Pelo menos, o papel que finalmente lhe deu um (surpreendente para uns, mais que merecido para outros) Óscar de Melhor Ator depois de Hannibal Lecter, a personagem de “O Silêncio dos Inocentes” que há de ser sempre de Hopkins.

Ao vermos o filme, mergulhamos de cabeça numa história que nos quer fazer perder a noção do tempo. Da mesma maneira, também o ator britânico foi puxado para um jogo doloroso, conhecendo um lugar vulnerável, que lhe exigiu a maior transparência possível diante das câmaras. Ou seja, “no acting required” (algo como “não é necessária representação) — essa foi, pelo menos, a citação que acompanhou todas as fases do filme, tal como confessou Zeller ao Observador. Uma mentira contada nos corredores da rodagem, porque toda a gente representa. Será? E até que ponto tal regra poderá bastar quando perdemos totalmente o controlo das nossas capacidades? O que é ou não verdade num trauma com infinitas possibilidades?

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