Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram esta quarta-feira a conclusão da primeira parte do programa de formação de fuzileiros moçambicanos, ministrada por militares norte-americanos, no âmbito do apoio às forças moçambicanas que combatem grupos armados em Cabo Delgado.

“Tendo testemunhado as impressionantes habilidades do campo de batalha durante uma demonstração nas instalações de treino, fiquei orgulhoso do trabalho que os nossos compatriotas conseguiram realizar juntos”, disse Dennis Hearne, embaixador dos Estados Unidos em Moçambique, citado num comunicado.

O programa de formação foi ministrado pelas Forças de Operações Especiais dos EUA e teve um período de dois meses, tendo como um dos principais objetivos o reforço das capacidades das forças moçambicanas no combate aos insurgentes que têm protagonizado ataques em Cabo Delgado.

Este exercício de treinamento reflete o compromisso do Governo dos Estados Unidos em apoiar os esforços do Governo de Moçambique de derrotar o Estado Islâmico com uma estratégia holística, que inclui desenvolvimento socioeconómico, programas de resiliência comunitária e assistência em matéria de segurança”, acrescentou a nota, avançando ainda que o segundo exercício de treino está previsto para julho.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 714.000 deslocados, de acordo com o Governo moçambicano.

O mais recente ataque ocorreu em 24 de março contra a vila de Palma, provocando dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.

As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás com início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.