Os próximos meses não se afiguram calmos, tranquilos e pacíficos para o Arsenal. Sem a convulsão que se vive no Manchester United, em que os adeptos tomaram uma posição clara com a invasão de Old Trafford, os gunners estão à beira de uma disputa pelo controlo do clube. Sem que o atual dono, Stan Kroenke, tenha qualquer vontade de deixar o Arsenal — ponderando até um aumento de investimento no mercado de transferências no verão para agradar à massa associativa –, a verdade é que a hipótese de existir uma oferta séria é cada vez mais real.

Depois de Daniel Ek, fundador do Spotify, ter confirmado que pretende apresentar uma proposta de aquisição, os nomes de Thierry Henry, Dennis Bergkamp e Patrick Vieira foram de imediato associados ao projeto. Até há poucos dias, contudo, tudo não passava de especulação da imprensa — até que o avançado francês decidiu dar um passo em frente. “Estamos a tentar encontrar uma solução que envolva os adeptos com o clube e resgate o ADN do Arsenal. Vai ser um processo longo e difícil, caso aconteça. O Daniel não vai desistir só porque agora não querem vender”, disse Henry, que é até hoje o melhor marcador da história dos ingleses.

Dois anos depois do divórcio, o Arsenal continua sem encontrar paz em Unai Emery

Assim, Ek pretende oferecer cerca de dois mil milhões de euros pelo Arsenal, para além de ter garantido o apoio incontornável de Henry, Bergkamp e Vieira, três figuras de um dos melhores períodos da história recente do clube, no início do milénio. Mas antes, esta quinta-feira, os gunners disputavam aquele que era, até agora, o jogo mais importante da época: a segunda mão da meia-final da Liga Europa contra o Villarreal que podia dar acesso à derradeira luta pelo troféu. No nono lugar da Premier League, ganhar a segunda competição europeia era a última esperança que a equipa londrina tinha para regressar à Liga dos Campeões na próxima temporada — mas para isso, primeiro, era necessário eliminar os espanhóis.

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No primeiro jogo, na semana passada e em Espanha, o Arsenal perdeu por 2-1, um resultado que não deixava de ser uma derrota mas que significava que a eliminatória estava totalmente em aberto na segunda mão desta quinta-feira, no Emirates. Para Mikel Arteta, este era “um momento importante”. “Não só para mim mas para o clube, por tudo o que aconteceu nos últimos dois meses, nos últimos meses. Acho que vai ser muito importante e vai ser o nosso maior passo em frente, se conseguirmos chegar à final e ter a oportunidade de conquistar o troféu. O nono lugar não é o queremos mas aconteceram muitas coisas nos últimos anos, por muitas razões. Uma, é o facto de a fasquia ter subido até um nível sem precedentes na Premier League, e nós não somos o único clube que não tem conseguido acompanhar. Mas claro que ninguém aceita esta situação e queremos mudá-la imediatamente. E esta temporada temos a oportunidade de o fazer”, explicou o treinador espanhol na antecâmara de mais um reencontro do Arsenal com Unai Emery.

Arteta lançava Aubameyang de início, ladeado por Saka e Pépé, e Partey, Odegaard e Smith Rowe eram os responsáveis pelo meio-campo. O treinador espanhol, porém, foi forçado a uma alteração de última hora: Xhaka ia ser titular mas lesionou-se durante o aquecimento e teve de ser substituído pelo jovem lateral Tierney. Do outro lado, Paco Alcácer e Moreno eram naturalmente as referências ofensivas e Trigueros e Chukwueze os desequilibradores de serviço, nos corredores.

Ao intervalo, porém, o nulo mantinha-se — o que significava que o Villarreal continuava em vantagem na eliminatória. O Arsenal foi sempre melhor e mais pressionante durante a primeira parte, com Aubameyang a acertar no poste (26′), e Unai Emery acabou por provar do mesmo veneno de Arteta ao ser forçado a tirar Chukwueze, que estava a ser o melhor elemento dos espanhóis, depois de o nigeriano se lesionar. O Villarreal não escondia que queria principalmente resguardar a vantagem, o Arsenal procurava o golo que pudesse garantir a final.

Na segunda parte, porém, a melhor ocasião foi de Moreno, que atirou rasteiro para Leno encaixar (53′). Os gunners continuavam por cima, com mais bola e maior presença no meio-campo adversário, mas tinham alguma dificuldade na hora da última decisão. Aubameyang voltou a acertar no poste, num lance em que o desvio da luva de Rulli acabou por ser fulcral (79′), e Arteta fez all in, lançando Lacazette, Willian e Nketiah depois de já ter colocado Gabriel Martinelli em campo.

O golo milagroso, porém, não apareceu. O Arsenal não conseguiu marcar em casa na segunda mão da meia-final e falhou a final que era a salvação da época, do ano e do projeto. Já o Villarreal, que se preocupou sempre mais em defender o resultado do que em dilatá-lo, conseguiu flutuar para fazer história: os espanhóis, comandados por Unai Emery, vão disputar o jogo derradeiro da Liga Europa contra o Manchester United, alcançando a primeira final europeia de sempre do clube.