A Peugeot vai arrancar a 15 de Maio com as entregas aos condutores nacionais das primeiras unidades do novo 508 PSE, de Peugeot Sport Engineered. Estamos perante o modelo mais potente da marca, com 360 cv, capaz de superar os 100 km/h em somente 5,2 segundos e só parar nos 250 km/h porque a isso está limitado electronicamente. Mas o modelo, que está disponível em versão berlina e carrinha, não se limita a ser potente, exibindo igualmente um chassi eficaz, para estar à altura do seu cariz desportivo.

Recorda-se da Peugeot Sport, que desenvolvia as versões mais desportivas da marca, bem como os modelos de competição? Pois bem, essa divisão de modelos com raça passa a denominar-se Peugeot Sport Engineered e nada melhor do que ter um desportivo concebido e apurado por quem sabe.

Mecânica do 3008 Hybrid 300, mas com mais músculo

A alma do 508 Peugeot Sport Engineered é já nossa conhecida, uma vez que é similar à utilizada noutros modelos e marcas da PSA. O motor principal é o 1.6 PureTech sobrealimentado, que fornece 200 cv e 300 Nm, acoplado à caixa EAT8, uma automática com 8 velocidades fabricada pelos japoneses da Aisin. Em vez do conversor de binário, para suavizar o funcionamento da caixa, o seu espaço é ocupado pelo primeiro de dois motores eléctricos a que recorrem as versões híbridas plug-in da marca. Com 110 cv e 320 Nm, este motor reforça a potência na unidade térmica e desloca o veículo em modo eléctrico.

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Mas o 508 PSE usufrui igualmente de tracção traseira, onde a PSE montou um novo eixo traseiro multilink, ao centro do qual está o segundo motor eléctrico e respectiva transmissão (desmultiplicador), que fornece 113 cv e 166 Nm. Esta é a unidade que garante que o 508 também tem tracção atrás, quando dela necessita, não para digerir pisos em mau estado ou escorregadios, uma vez que o 508 não é um SUV, mas sim para modular o comportamento, tornando-o mais ágil e eficaz.

Tudo somado e graças ao trabalho dos técnicos da PSE, o binário mantém-se nos 520 Nm do 3008 Hybrid 300, mas a potência sobe de 300 cv para 360 cv. É isto que eleva a capacidade de aceleração dos 5,9 segundos 3008 (com o mesmo peso do 508 PSE) para 5,2 segundos. Os dois motores eléctricos extraem energia de uma bateria com 11,8 kWh de capacidade (recarregável a 3,7 kW, podendo opcionalmente carregar a 7,4 kW), menos do que os 13,2 kWh do 3008 por manifesta falta de espaço nesta versão da plataforma EMP2.

Um chassi mais desportivo

Além de uma carroçaria elegante, mas com óbvia atitude desportiva, o que se torna evidente pelas jantes de 20”, ligeiramente menor altura ao solo (1 cm à frente e 0,4 cm atrás), vias mais largas (2,4 cm à frente e 1,2 cm atrás) e a presença constante do símbolo da PSE, as três garras ou traços paralelos ligeiramente inclinados, o 508 Peugeot Sport Engineered possui ainda um habitáculo cuidado e bem equipado. Integram de série o modelo o sistema night vision, os estofos revestidos a Alcantara e couro preto, o parqueamento automático e o pack Drive Assist Plus.

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Mas o que os condutores que procuram uma berlina desportiva mais apreciarão são os amortecedores de dureza regulável em três níveis distintos (Comfort, Hybrid e Sport), além dos cinco modos de condução, com destaque para o Sport, o mais desportivo, surgindo depois o 4WD (que assegura sempre a tracção atrás), o Hybrid e o Comfort (diferem apenas na dureza da suspensão) e o EV, em que o 508 PSE se desloca sem poluir durante 42 km, segundo a norma WLTP.

Usar e abusar, para ver o que vale

Um modelo que se assume como desportivo deve ser utilizado como tal. Especialmente quando a sua mecânica híbrida plug-in permite duvidar que a potência sobreviva tanto tempo quanto seria desejável – devido às limitações da pequena bateria –, numa condução mais agressiva, exigindo mais da mecânica. Começámos por uma deslocação em auto-estrada a 120 km/h, em modo Comfort, onde conseguimos uma média de 4,8 litros, o tipo de situação que menos favorece os híbridos plug-in pela reduzida regeneração de energia a velocidade constante.

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Chegados a uma estrada sinuosa de montanha, estavam reunidas as condições de puxar um pouco mais pela carrinha desportiva, para mais pintada no atraente Cinzento Selenium, exclusivo para os PSE. Acelerando a fundo, o Peugeot responde com mais alma do que os 360 cv deixariam antever, cortesia dos dois motores eléctricos com binário máximo instantâneo. A caixa foi outra agradável surpresa, ao não desmultiplicar sempre que se retira o pé do acelerador para travar, mantendo a mesma mudança engrenada, no que pode ser considerado uma boa adaptação de software.

Os travões com discos de 380 mm de diâmetro à frente, reforçados por maxilas de quatro pistões pintadas de amarelo, nunca acusaram excesso de temperatura, apesar de como é habitual nos eléctricos, ou melhor, em modelos com travagem regenerativa, o tacto do pedal ser diferente das versões com exclusivamente motores a combustão, uma vez que a primeira do curso está apenas a modular o nível de regeneração de energia. Mas mesmo a série de travagens a fundo, seguidas de acelerações do mesmo calibre, nunca nos permitiram descobrir qualquer tipo de fadiga.

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Iniciámos o percurso de montanha em modo Sport, com 18 km de autonomia na bateria. Após 12 km tínhamos perdido apenas 6 km, ou seja, 0,5 km por cada quilómetro percorrido – uma autonomia superior às nossas expectativas. Além da energia da bateria, o 508 PSE consumiu 12,9 l/10 km, enquanto que um motor a gasolina não híbrido plug-in facilmente superaria os 20 litros de média.

Quanto custa e será que vale a pena?

Com a marca a antever a venda de várias dezenas por ano do novo 508 PSE, a berlina e a carrinha SW são propostas por 68.795€ e 70.295€, respectivamente. Apesar do equipamento e das características dos veículos, estes são valores elevados para modelos deste segmento e até para produtos da marca francesa, bastando compará-los com concorrentes como o BMW 330e (292 cv e 53 mil euros), Mercedes C300e (320 cv e 53 mil euros) e Volvo S60 T8 (390 cv e 62 mil euros).

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Mas a Peugeot tem uma carta na manga, que consiste em explorar o potencial de ajudas concedidas aos híbridos plug-in. Ao reivindicar apenas 46 km de autonomia em modo eléctrico e 46 g de CO2/km, o 508 Peugeot Sport Engineered não tem acesso à redução de 75% no ISV nem a uma redução na tributação autónoma, mas nada o impede de recuperar o IVA, caso seja adquirido por uma empresa ou um profissional liberal. Para este tipo de clientes, o 508 PSE está disponível por apenas 47.974€ e 49.528€ mais IVA, para respectivamente a berlina e a SW. Valores que não andam longe do 508 exclusivamente a gasolina (1.6 PureTech GT com 180 cv, proposto por 44 mil euros) ou do mesmo modelo a gasóleo (1.5 BlueHDI GT com 130 cv, comercializado por 45 mil euros).