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Durante décadas, os maus pneus – assim denominados por não terem aderência, serem pouco eficientes e menos seguros – foram acusados de serem de plástico, ainda que na brincadeira. A Michelin levou a piada a sério e está em vias de apresentar os primeiros pneus que, em vez de borracha, natural ou sintética, vão ter como base plástico reciclável, o que vai permitir poupar o ambiente.

Este avanço tecnológico da Michelin foi conseguido em colaboração com a Carbios, uma empresa francesa especializada em bioquímica. Ficou conhecida por criar enzimas capazes de desfazer material termoplástico e torná-lo compostável e agora utilizou essa mesma invenção para reciclar produtos em plástico e roupas de poliéster, que vão servir para uma fibra de poliéster capaz de ser utilizada na produção de pneus, por ser particularmente resistente, robusta e estável termicamente.

A Michelin, através do seu responsável pelos polímetros, Nicholas Seeboth, diz estar “muito entusiasmada por ser o primeiro fabricante de pneus a ter produzido e testado fibras recicladas para pneus, que foram produzidas a partir de garrafas de plásticos coloridas, recicladas através das enzimas desenvolvidas pela Carbios”. Segundo a empresa, “as novas fibras fabricadas a partir de plástico são reforços high-tech que têm demonstrado conseguir rivalizar com as fibras derivadas de produtos petrolíferos”.

A Michelin pretende utilizar 40% de materiais recicláveis nos seus pneus a partir de 2030 e 100% em 2050, o que vai permitir que os 1,6 mil milhões de pneus produzidos anualmente consumam 800.000 toneladas de fibras de materiais termoplásticos (PET, de politereftalato de etileno). De recordar que a Carbios anunciou em 2019 que tinha produzido as primeiras garrafas de PET com base em ácido de tereftalato 100% purificado, fabricado a partir de antigas garrafas de PET.

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