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O adiamento do clássico entre Manchester United e Liverpool, depois da invasão a Old Trafford por cerca de 200 adeptos que foram mais longe naquilo que estava a ser só mais uma manifestação contra a família Glazer que é proprietária do clube com milhares de pessoas, colocou o conjunto de Ole Gunnar Solskjaer perante um dilema ainda mais complicado em termos de calendário, tendo de fazer um total de quatro encontros apenas em dez dias (cinco em duas semanas) antes da final da Liga Europa diante do Villarreal, no dia 26. Também por isso, o encontro com o Aston Villa em Birmingham ganhava especial relevância neste contexto competitivo.

Depois da vitória do Chelsea frente ao Manchester City no Etihad Stadium, o Manchester United estava obrigado a ganhar para impedir a festa dos rivais da cidade já este domingo mas, em paralelo, um triunfo teria também o condão de garantir de forma virtual a presença na próxima edição da Liga dos Campeões (ficando com 12 pontos de avanço sobre o West Ham com larga vantagem nos golos marcados e sofridos) e reforçar um segundo lugar que começa a estar ameaçado pela recuperação a pique dos blues com Thomas Tuchel no comando. E foi por isso que, três dias depois da derrota em Roma que nem por isso impediu a passagem à final da Liga Europa, Solskjaer deixou apenas Cavani no banco de início, naquela que foi a única poupança física nas opções iniciais.

Mais uma vez, a exibição não foi propriamente a melhor mas serviu não só para cumprir todos os objetivos da equipa mas também para Bruno Fernandes quebrar mais um recorde do clube, neste caso os 13 penáltis convertidos numa só temporada num total de 27 golos e 17 assistências em 2020/21 que permitiram ao médio subir de novo à terceira posição dos melhores marcadores da Premier League com 17 golos, os mesmos de Son, a três de Salah e a quatro de Harry Kane. Mais: desde Lampard em 2009/10 que um médio não marcava tanto.

O United entrou apostado em controlar o jogo com bola, conseguiu 83% de posse nos dez minutos iniciais mas foi sentindo dificuldades nas aproximações ao último terço, tendo apenas a primeira oportunidade à passagem do quarto de hora inicial numa combinação entre Bruno Fernandes e Rashford que terminou com um remate ao lado do português na área. O Aston Villa não se mostrava incomodado com a falta de bola, variava entre zonas de pressão mais altas e blocos baixos, e mantinha sempre o foco nas transições, chegando mesmo ao golo num desses lances de recuperação em que Bertrand Traoré aproveitou as dificuldades do setor recuado em aliviar a bola da zona de perigo para disparar um tiro ao ângulo da baliza de Henderson e inaugurar o marcador (24′). Apesar da pressão posicional, e entre um remate com perigo de Rashford para defesa de Emiliano Martínez, os visitantes chegariam mesmo em desvantagem ao intervalo, “entregando” de forma virtual o título ao City.

O United tinha 45 minutos para evitar o título do rival e marcar também uma posição na Premier League, sendo que até começou por apanhar um susto com um remate em zona frontal de El Ghazi para defesa apertada de Dean Henderson, mas bastaram cinco minutos para a reviravolta: Bruno Fernandes fez o empate numa grande penalidade após falta de Douglas Luiz sobre Pogba (52′), Mason Greenwood marcou o 2-1 num grande trabalho individual com remate rasteiro (56′) e o rumo do encontro mudou por completo. Apesar da tentativa de reação dos visitados, o Manchester United conseguiria aguentar a vantagem até ao final, tendo apenas como má notícia a saída por lesão de Harry Marguire (que pode afastar o central dos próximos compromissos da equipa), fechando as contas a três minutos do final com Cavani a fazer o 3-1 após assistência de Rashford.

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