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O BPI obteve lucros de 60 milhões de euros no primeiro trimestre, o que compara com os 6 milhões registados no primeiro trimestre do ano anterior, informou o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa em comunicado à CMVM. É um lucro trimestral que sobe, portanto, para 10 vezes mais e que o banco obteve sobretudo graças aos 54 milhões de euros da atividade doméstica. Além disso, recorde-se que no primeiro trimestre de 2020 o banco tinha registado 32 milhões de euros em imparidades e provisões, em parte para se precaver do que poderiam ser as perdas relacionadas com a pandemia que estava a começar.

O presidente do banco, na nota difundida através do site da CMVM, comenta que “o primeiro trimestre de 2021 ficou marcado pela forte dinâmica da atividade comercial, que mostra a capacidade do BPI em ajustar-se ao contexto criado pela persistência da pandemia”. “Registámos um crescimento significativo do produto bancário, assente na resiliência da margem financeira, no aumento da venda de produtos de poupança e investimento (seguros de capitalização e fundos de investimento) e na gestão rigorosa do balanço. E continuamos a ganhar quota de mercado no crédito”.

Olhando para o futuro, João Pedro Oliveira e Costa afirma que “sabemos que o restante ano de 2021 será ainda muito difícil, mas o BPI mostrou que conta com equipas empenhadas e a robustez financeira necessária para continuar a apoiar famílias e empresas, e com a Fundação “la Caixa”, reforçar o seu compromisso social”.

Sobre o tema das moratórias, o banco indica que tinha 4,5 mil milhões de euros em moratórias ativas (a 1 de abril), 17% da carteira de crédito do banco. O BPI diz, também, que no início de abril terminaram 1,2 mil milhões de euros em moratórias, mil milhões dos quais relacionados com crédito à habitação – o banco garante que se registou um “bom comportamento dos créditos após retomarem as obrigações de pagamento, semelhante ao desempenho global da carteira de crédito”. Só houve problemas em 1% a 2% da carteira, indicou João Pedro Oliveira e Costa.

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Procurando passar uma mensagem de “tranquilidade”, João Pedro Oliveira e Costa garante que a banca está a colaborar com o Governo em soluções “robustas” para o fim das moratórias. Rejeitando “dramas”, o banco repete que 98% da sua carteira de crédito está em “situação regular”, o que quer dizer que são créditos classificados ou em stage 1 ou stage 2.

Em causa está a qualificação que os bancos têm de fazer, nos termos das regras contabilísticas em vigor – IFRS 9 –, sobre cada empréstimo que concedem e sobre o risco de que cada um desses empréstimos sofra um incumprimento. O modelo prevê que os bancos classifiquem esse risco numa escala de três stages, ou “níveis”, que pode ser comparada a um semáforo: stage 1 é a luz verde, onde não se preveem problemas; stage 2 é a luz amarela, onde está sinalizado algum risco; e stage 3 corresponderia à luz vermelha, onde os riscos são por demais evidentes.

Moratórias bancárias. Vai ficar (quase) tudo bem, garantem os bancos

Questionado pelo Observador, na conferência de imprensa, sobre quanto deste crédito está em stage 1 e stage 2 (que não deixam de ser duas classificações bastante distintas), João Pedro Oliveira e Costa recusou responder, dizendo que “há determinada informação que é reservada aos supervisores”. Assinalou, porém, que a “esmagadora maioria está em stage 1“.

O BPI destaca, também, que se aumentaram em mais de 11% os depósitos dos clientes, na comparação com o período homólogo, e a carteira de crédito global aumentou em 1,5 mil milhões de euros – 6,2% – subindo a quota de mercado para 10,7%. Especificamente na área das empresas, a carteira de crédito cresceu 7,2% em termos homólogos, segundo o banco.