A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE, esquerda), Catarina Martins, defendeu esta segunda-feira que é “urgente” a imposição de sanções internacionais a Israel para “parar” o executivo israelita nos ataques aos palestinianos.

Catarina Martins falava à agência Lusa depois de participar numa manifestação/comício de apoio e de solidariedade para com o povo palestiniano, promovida conjuntamente pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

“É urgente a imposição de sanções a Israel, porque é a única forma de parar o governo israelita, neste momento, pela defesa importantíssima dos Direitos Humanos e das vidas que estão a ser perdidas em Gaza”, afirmou a coordenadora “bloquista”, que acusou também o Governo português ter defendido uma posição de “equidistância“, que mudou, agora, para uma que é, ao mesmo tempo, “frágil” e “chocante“.

Defendemos que o Governo português deve condenar, sem nenhuma margem para dúvida, os ataques de Israel e deve, uma vez que tem a presidência da União Europeia (UE), também apelar a que Bruxelas faça o mesmo”, afirmou.

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“Tradicionalmente, Portugal tem tido uma posição equidistante, o que para nós é frágil, porque não estamos aqui a falar de um conflito entre iguais — Israel é uma força ocupante na Palestina. Mas, desta vez, Portugal alterou a posição de uma forma inédita: condena os rockets do [grupo islâmico xiita] Hamas [que governa de facto na Faixa de Gaza], mas não condena os bombardeamentos do governo israelita”, sustentou a coordenadora do BE.

Segundo Catarina Martins, a posição de Portugal “não tinha acontecido antes” e é “muito preocupante”, porque fica, “de alguma forma, a apoiar a política do governo de Israel”, pelo que tal é “inaceitável” e mostra um comportamento de “subserviente”.

Toda esta situação é muito preocupante do ponto de vista dos civis que vivem na Faixa de Gaza e é tão ou mais injustificada quando toda a gente sabe que esta escalada de violência serve para Netanyahu resolver problemas de política interna porque está envolvido em vários escândalos”, argumentou a dirigente ‘bloquista’.

“Que Portugal tenha assim esta postura de subserviência, que nunca tinha acontecido desta forma, neste momento, é, para nós, particularmente chocante.”, acrescentou. Para Catarina Martins, a escalada de violência de Israel sobre os palestinianos está a ser concretizada em Gaza “de forma pesada”.

“Israel é uma força ocupante, tem um regime de apartheid [sistema de segregação racial] e a ideia de que há ataques de ambos os lados é errada porque há aqui um opressor e um oprimido e Israel não cumpre nenhuma das convenções internacionais”, defendeu.

Catarina Martins lembrou que, a 14 deste mês, o Bloco de Esquerda entregou no Parlamento português um projeto de lei para impedir a importação de bens israelitas que fossem produzidos nos colonatos israelitas ilegais. “Achamos que Portugal deve tomar essa decisão, bem como deve ser uma voz na Europa para decisões neste tipo“, frisou.

Os combates começaram a 10 de maio, após semanas de tensão entre israelitas e palestinianos em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar sagrado do Islão junto ao local mais sagrado do judaísmo.

Ao lançamento maciço de rockets por grupos armados em Gaza em direção a Israel opõe-se o bombardeamento sistemático por forças israelitas contra a Faixa de Gaza, tendo provocado a morte a cerca de 200 palestinianos, incluindo 59 menores e 39 mulheres, bem como mais de 1.300 feridos.

Do lado israelita foram contabilizadas 10 mortes, entre elas a de dois menores, numa altura em que continuam os ataques de ambas as partes sem que vislumbre um sinal de tréguas. O conflito israelo-palestiniano remonta à fundação do Estado de Israel, cuja independência foi proclamada em 14 de maio de 1948.

Os 27 países da UE têm frequentemente dificuldades em encontrar uma posição comum sobre o conflito israelo-palestiniano, com países como a Alemanha, a Áustria ou a Eslovénia a apoiarem firmemente o direito de Israel a defender-se, enquanto outros exortam o Estado hebreu a demonstrar contenção.