O PSD quer conhecer o plano dos festejos da conquista do campeonato nacional de futebol pelo Sporting e saber se existiu um despacho do Ministério da Administração Interna a autorizar o cortejo dos autocarros da equipa por Lisboa.

Num requerimento esta terça-feira divulgado e dirigido ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, os sociais-democratas referem informação divulgada no programa Sexta às 9, da RTP1, segundo a qual, na véspera do jogo decisivo entre o Sporting e o Boavista, “o Diretor Nacional da PSP terá enviado um ofício ao Gabinete do senhor Ministro da Administração Interna, no sentido de impedir o expectável cortejo dos autocarros do Sporting até à Praça do Marquês de Pombal, propondo um plano alternativo aos festejos previstos”.

De acordo com estas notícias, acrescentam os deputados sociais-democratas, “a PSP defendeu uma solução para garantir a segurança dos festejos, tendo em conta a dificuldade de fazer cumprir as recomendações da Direção Geral da Saúde, como o distanciamento social e o uso obrigatório de máscaras no atual contexto pandémico”.

No entanto, segundo o que tem sido avançado pela imprensa, o ministro da Administração Interna, ao contrário do proposto pela PSP, terá elaborado um despacho a concordar com o plano de festejos, tal como se vieram a realizar”, afirma o PSD.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Para o PSD, a polémica à volta dos festejos e a “posterior ausência de assunção de responsabilidades políticas quanto às decisões tomadas” reforça a importância de serem apurados “todos os factos” e, sobretudo, verificar “da existência, ou não, da referida decisão ministerial” de Eduardo Cabrita.

Sporting. Parecer da PSP tinha três cenários alternativos para a festa, nenhum foi acolhido pelo MAI

Os deputados do PSD pedem o acesso a “toda a documentação existente e emanada do Gabinete do Ministro da Administração Interna, ou do Secretários de Estado do respetivo Ministério, relacionados com estes eventos e, em particular, o referido despacho dirigido à Direção Nacional da PSP, através do qual terão sido dadas orientações superiores em sentido inverso ao plano proposto por aquela força de segurança relativamente aos festejos e ao cortejo dos autocarros do Sporting após o jogo”. O Sporting sagrou-se há uma semana campeão português de futebol pela 19.ª vez, 19 anos após a última conquista.

Durante os festejos, milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio, quebrando todas as regras do estado de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia de Covid-19, em que não são permitidas mais de dez pessoas na via pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua. A maioria dos adeptos não cumpriu também as regras de saúde pública ao não respeitar o distanciamento social, nem o uso obrigatório de máscara.

Em comunicado, a direção nacional da PSP referiu que os festejos dos adeptos do Sporting em alguns locais de Lisboa resultaram em “alterações relevantes da ordem pública” e que foi necessário reforçar o dispositivo policial para “restabelecer a ordem e tranquilidades públicas” e “conter as desordens“, que consistiram “no arremesso, na direção dos polícias, de diversos objetos perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos pirotécnicos, que também atingiram outros cidadãos”.

A PSP diz que usou a força pública, incluindo o disparo de balas de borracha, para fazer face aos comportamentos “desordeiros e hostis por parte de alguns adeptos“.

A polícia indicou, igualmente, que deteve três pessoas, identificou outras 30 e apreendeu 63 engenhos pirotécnicos durante os festejos, tendo ainda ficado feridos quatro policias e diversas pessoas, que foram assistidas no local.