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Foi nas páginas do extenso contrato de criação da Super Liga Europeia — o polémico projeto para uma nova competição encabeçada por 12 dos principais clubes de futebol do continente que foi apresentado a 18 de abril e que 48 horas depois já só reunia três equipas — que o New York Times diz que encontrou a prova que faltava e que veio corroborar os relatos que vários envolvidos no processo, sob anonimato, tinham já feito durante a investigação. A FIFA, entidade máxima do futebol internacional, bem como o seu presidente, Gianni Infantino, não só estavam ao corrente das negociações para a criação da nova competição como apoiavam a Super Liga Europeia.

Nos documentos a que o jornal teve acesso, o organismo surge referenciado com um nome de código — W01. Desde o início que terá sido ponto assente para todos os envolvidos: para o projeto ter viabilidade, era absolutamente necessário que se chegasse a acordo com a entidade — essa era “uma condição essencial para a implementação do projeto SL”, cita a investigação a partir dos documentos oficiais.

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A notícia é tanto mais surpreendente porque o suíço-italiano foi, como os demais organismos ligados ao futebol, publica e ativamente contra a criação da nova competição, entretanto abandonada por todos menos Real Madrid, Barcelona e Juventus. “Quero ser extremamente claro. A FIFA é uma organização assente nos verdadeiros valores do desporto. Ontem, lemos coisas sobre guerra e crime sobre o desporto que todos amamos. Só podemos desaprovar fortemente a Super Liga Europeia, que é uma loja fechada, uma fuga das atuais instituições”, disse, dois dias após o anúncio, Gianni Infantino.

Apesar de, em público e já depois da reação inflamada do mundo do futebol contra a Super Liga, se ter posicionado desta forma, nos bastidores, garante o New York Times, o número 1 da FIFA foi uma espécie de “sócio silencioso”, cujo aval deu força não apenas aos clubes mas também ao JP Morgan, o banco de financiamento americano que aceitou financiar a nova competição, para avançar.

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Segundo o New York Times, que conversou com o dono de um dos 12 clubes envolvidos e com vários outros intervenientes no processo, houve inúmeras reuniões para acertar detalhes sobre o assunto entre a A22, o consórcio encarregue de delinear o projeto da Super Liga Europeia, e vários representantes seniores da FIFA, incluindo o seu secretário-geral adjunto, Mattias Grafstrom, que é também uma espécie de braço-direito de Infantino. A última terá sido já em janeiro, três meses antes de o projeto ser revelado ao mundo — e veementemente recusado por ele. Sendo que a meio do ano passado, garantiu também o já referido proprietário, os conselheiros da A22 já diziam aos clubes que “a FIFA estava a bordo”.

Como contrapartida para apoiar e viabilizar a nova competição, que a cada ano permitiria a entrada de cinco clubes diferentes, para além da dúzia de fundadores, a FIFA viria a contar com a participação gratuita dos clubes da Super Liga Europeia no novo Mundial de Clubes que Infantino pretendia organizar. De acordo com o jornal, com este acordo, a FIFA podia chegar a encaixar cerca de mil milhões de dólares extra por ano.