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O Benfica reagiu esta segunda-feira às incidências que marcaram a final da Taça de Portugal frente ao Sp. Braga, em especial à expulsão injustificada de Helton Leite que acabou por marcar o encontro. Em paralelo, o clube da Luz aponta ainda quatro grandes penalidades não assinaladas na fase da temporada em que o plantel estava a ser mais assolado pelo surto de Covid-19, bem como a não expulsão de Pepe no clássico frente ao FC Porto num jogo determinante para a atribuição da segunda posição. Os encarnados pedem mudanças e visam nesse sentido a Federação Portuguesa de Futebol, que deve mudar o que tiver de mudar e assumir as suas falhas”.

Carlos Carvalhal quis, Abel Ruiz sonhou, a obra do Sp. Braga nasceu (a crónica da final da Taça de Portugal)

“Em Coimbra, assistimos a mais um capítulo de uma história demasiadas vezes repetida este ano: uma arbitragem desastrada impediu-nos de vencer. Helton nunca deveria ter sido expulso, uma decisão errada que condicionou todo o jogo do Benfica, amputando boa parte da estratégia delineada para vencer”, começa por destacar a newsletter dos encarnados, antes de apontar “três momentos que marcam de forma indelével esta época e que agora, findo o último jogo, importa sublinhar para que tudo mude e nada seja esquecido”.

[Ouça aqui a análise do ex-árbitro Pedro Henriques no Sem Falta da Rádio Observador]

“Nuno Almeida decidiu bem no lance da expulsão de Helton Leite, mas foi com enorme grau de dificuldade”

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“1) O Benfica viu-se afastado de lutar pelo título de campeão nacional entre janeiro e fevereiro quando, em pleno surto de Covid-19 na equipa, viu serem-lhe sonegadas quatro grandes penalidades contra Nacional, V. Guimarães, Moreirense e Farense. Oito pontos que nos afastaram da luta pelo título até ao final do Campeonato. Facto relevante: Nuno Almeida – que ontem [domingo] recebeu uma espécie de ‘prémio carreira’ ao apitar uma final da Taça de Portugal, esteve em duas destas quatro partidas. Foi o árbitro no Benfica-V. Guimarães e VAR na partida com o Nacional; 2) O Benfica foi condicionado na justa ambição de chegar ao segundo lugar do Campeonato quando, diante do FC Porto, viu Pepe ver-lhe perdoada uma expulsão aos 80 minutos, depois de um lance indiscutível sobre Seferovic; 3) O Benfica foi claramente impedido de vencer a Taça de Portugal quando uma expulsão inexistente nos obriga a jogar durante quase 80 minutos em inferioridade numérica. Uma expulsão, importa ressaltar, despropositada, injusta, condicionante e sem que o VAR tivesse sequer alertado para o exagero e desproporção da exclusão do guarda-redes Helton Leite”, apontou.

“É uma época perdida. Estamos tristes, acreditávamos que íamos ganhar”. Ninguém perdeu mais finais da Taça do que Jesus

“O Benfica tem pautado o seu comportamento público por uma postura construtiva e positiva em defesa da indústria do futebol e da sua credibilização. Não andamos a condicionar arbitragens antes dos jogos, com ameaças mais ou menos veladas. Recusamos a refrega permanente em prol de uma suspeição nociva e tóxica para o Campeonato português. Refutamos tudo isso, mas exigimos respeito”, acrescenta, antes de pedir medidas para uma temporada de 2020/21 diferente entre a garantia de que irá também assumir as suas falhas.

Helton Leite foi aposta de Jesus, conseguiu maior série sem sofrer na Liga mas acabou a bater o pior recorde na Taça de Portugal

“Confiamos nas instituições que têm responsabilidades, mas não aceitamos impávidos que nos prejudiquem sistematicamente em momentos decisivos. Não vamos tolerar que o VAR só funcione para uns, ignorando os penáltis que sofremos e as más decisões que nos diminuem. É tempo de quem tem esse dever – nomeadamente, a Federação Portuguesa de Futebol – mudar o que tiver de mudar a bem do futebol e assumir as suas falhas. Nós saberemos assumir as nossas, corrigindo o que tiver de ser melhorado para a próxima época”, concluiu.