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O líder do PSD não se sente “isolado” perante as críticas que os restantes líderes da direita lhe endereçaram no congresso do Movimento Europa e Liberdade (MEL). Até porque, defende, “a diferença de potencial eleitoral e de força de votos é brutal do PSD relativamente aos outros“. Questionado sobre se a construção de pontes com potenciais parceiros fica mais difícil depois do que ouviu, Rio responde que o objetivo, ao participar no congresso, foi tentar estabelecer esse diálogo: “Se eu fosse para lá criticar os outros, as pontes são mais difíceis, mas fiz o que fiz. Cada um faz o que entende“.

Congresso do MEL. A direita suspirou por um líder, Rio suspirou pelo centro e Ventura suspirou pelo poder

Na quarta-feira, Rui Rio, que tinha defendido que o PSD “não é de direita“, ouviu várias críticas vindas dos restantes líderes da direita. João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, defendeu que “quando o PSD se presta a várias iniciativas do PS está a fazer o jogo dessa mesma esquerda. Para isso não contem connosco“. Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS, também criticou a estratégia de Rio: “Para combater a esquerda em Portugal precisamos de uma direita forte, nós não precisamos de uma obsessão pelo centro, que desvirtua a direita. O centrismo é uma ideologia de fachada e que faz fretes ao PS”.

André Ventura, do Chega, também colocou o dedo na ferido e foi mais direto: “Rui Rio não tem conseguido fazer o seu papel de oposição à direita”, afirmou.

Rui Rio no MEL: “Se isto fosse um congresso das direitas eu não conseguiria entrar. O PSD não é de direita”

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Questionado esta quinta-feira, após uma visita à 55ª Capital do Móvel, em Lisboa, sobre estas críticas, Rui Rio voltou a dizer que não foi “ao congresso das direitas”, mas a uma “conferência” para deixar claro aquilo que considera serem as “linhas de rumo do país”, no plano político e económico. “Os outros terão ido lá dizer outras coisas. Se calhar, os outros sentiram-se no congresso das direitas, vieram dizer aquilo. Eu não me senti em congresso das direitas nenhuma. Senti-me numa conferência onde estiveram lá pessoas de valor, outras que possa reconhecer de menos valor“.

Perante as críticas dos restantes líderes da direita, o diálogo fica mais difícil? “Se eu fosse para lá criticar os outros, as pontes são mais difíceis, mas fiz o que fiz. Cada um faz o que entende”. Questionado sobre se se sente mais isolado, o líder do PSD responde que não. “Isolado, eu? Não. Porquê? A diferença de potencial eleitoral e de força de votos é brutal do PSD relativamente aos outros“.

Rui Rio defendeu também que o PSD “não precisa de fazer nenhuma deriva nem à direita nem à esquerda” para ser poder. E reforçou a necessidade de construir as tais “pontes”. “O PSD para ser poder não tem de se deslocar nem para a esquerda nem para direita, tem é que ter a abertura suficiente para conseguir liderar um movimento para lá de si próprio porque hoje em dia seja para o PSD, seja para o PS, é muito muito difícil conseguir uma maioria absoluta“, devido à “fragmentação partidária”.

Sobre a presença do ex-líder social-democrata Pedro Passos Coelho, Rio diz que gostou de o ver. “Tive muito gosto, muito prazer. Tive uma conversa agradável, gostei imenso, palavra de honra. (…) Penso que minha própria intervenção está em larga medida sintonizada com o pensamento do próprio Dr. Passos Coelho. Eu gostei de estar ali com ele”.