Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Francisco Assis discorda da proposta de ilegalizar o Chegar. Ao contrário de Ana Gomes, candidata presidencial por si apoiada, Assis entende que a ideia de “ilegalizar partidos políticos” é uma “situação limite. Vitimiza-os e também não acho que seja o caminho”, afirmou em entrevista ao Jornal de Notícias.

O socialista e presidente do Conselho Económico e Social (CES) acredita que as posições políticas radicais de Ventura sobre a imigração e a comunidade cigana (que estão “para além dos limites do tolerável”) devem ser combatidas através de um “debate democrático” e censura a visão do líder do Chega. “Vi no outro dia declarações do dr. Ventura sobre o risco que era a imigração islâmica em Portugal, que punha em causa o nosso modelo de sociedade, os direitos das mulheres, e não sei que mais, que são completamente descabidas. Não têm qualquer ligação com a realidade”, diz.

Discordando uma vez mais de algumas vozes do PS e da extrema-esquerda, que têm referido o perigo do PSD ser contaminado pelas posições do Chega, Francisco Assis diz estar convencido de que a “esmagadora maioria da direita portuguesa não se reconhece nessas posições. (…) Não há risco nenhum. Conhecemos o PSD há 30 anos. É um partido construtor da democracia, como é o PS”, enfatiza.

“Raspadinha é um verdadeiro crime contra mais carenciados da sociedade portuguesa”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Na mesma entrevista, Francisco Assis insistiu nas críticas aos jogos de fortuna e azar, vulgo raspadinha, promovida pelo Ministério da Cultura para financiar o Fundo de Salvaguarda do Património Cultural.

“Isso é das coisas que mais me indignam. Não podemos explorar os mais pobres e os mais carenciados para depois eles serem os financiadores de outros pobres e carenciados.  (…) A raspadinha, neste momento, é um problema sério no nosso país e o CES tem de ter preocupações com a economia e com as questões sociais. E é indecoroso que se ande a aproveitar a possibilidade de determinados setores ficarem viciados, para depois apregoar que se vêm resolver problemas sociais. (…) os indícios que temos vão no sentido de considerar que a raspadinha é um verdadeiro crime contra os setores mais carenciados da sociedade portuguesa.”

Assis encomendou em março um estudo à Universidade do Minho sobre o impacto social do vício da “raspadinha”.