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Os reitores das universidades de Coimbra e de Lisboa recusam seguir o conselho do Governo de tornar obrigatória a testagem à covid-19. “Não vou obrigar a não ser que seja obrigado”, afirma o reitor Amílcar Falcão (Universidade de Coimbra) ao jornal Público. O mesmo fará o reitor António Cruz Serra (Universidade de Lisboa).

Depois de o Governo ter anunciado logo em março que as regras do desconfinamento incluiriam a testagem nos campus universitários, o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior emitiu uma nota que sugere “a possibilidade de estarem sujeitos à realização de testes de diagnóstico de SARS-CoV2 os trabalhadores, estudantes e visitantes de instituições de ensino superior”, cita o diário.

Contudo, e além de considerar que a resolução do Governo não é suficientemente clara, a Universidade de Coimbra apenas recomenda a realização de testes. Ou seja, é uma opção e não uma obrigação. Logo, os estudantes podem frequentar as instalações da universidade mesmo que não tenham feito o teste. “Se o Governo me disser que os reitores são obrigados a obrigar, sim, mas caso contrário não vou obrigar”, insiste o reitor Amílcar Falcão.

Na origem desta decisão está a reduzida adesão da comunidade estudantil aos testes. Por exemplo, a adesão aos testes situava-se entre os 70% e os 80% em setembro de 2020, tendo caído para cerca de 40% a 50% nas últimas semanas. Os dados são da Universidade de Coimbra mas em Lisboa a situação não é diferente. “Nota-se que, de facto, alguns estudantes recebem a convocatória para o teste e, ou porque estão em modo remoto nas aulas, ou porque se deslocam menos à universidade, acabam por fazer menos testes”, afirma António Cruz Serra.

O reitor da Universidade de Lisboa diz, contudo, que “com o aumento de casos em Lisboa, a preocupação deverá aumentar e a adesão dos jovens [aos testes] também.”

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