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Granizo em Vila Real. Presidente da Junta de Freguesia de Abaças fala em "catástrofe"

Este artigo tem mais de 6 meses

Viticultores e autarcas das freguesias de Abaças e Guiães, em Vila Real, descrevem um "cenário de catástrofe" e queixam-se de prejuízos "muito elevados" depois da queda de granizo esta tarde.

A queda de granizo ocorreu esta tarde. Os pedaços de gelo tinham o tamanho de "nozes"
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A queda de granizo ocorreu esta tarde. Os pedaços de gelo tinham o tamanho de "nozes"

AMANDIO VILANCULO/Lusa

A queda de granizo ocorreu esta tarde. Os pedaços de gelo tinham o tamanho de "nozes"

AMANDIO VILANCULO/Lusa

Ao final da tarde desta segunda-feira e durante vários minutos caiu granizo com muita intensidade e descrito como sendo do tamanho de “nozes” ou de bolas de pingue-pongue no território de Vila Real, acompanhado de chuva intensa.

Temos aqui zonas onde as vindimas estão feitas”, afirmou à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Abaças, Filipe Brigas.

Em plena região demarcada do Douro, Filipe Brigas, falou numa “catástrofe” que atingiu as aldeias daquela zona do concelho de Vila Real onde a vinha e o vinho são a principal atividade económica.

Enquanto estava a prestar declarações à agência Lusa, o autarca estava já a caminho da sua vinha para aplicar um primeiro tratamento de cálcio para tentar salvar as videiras.

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Para exemplificar a dimensão do granizo, Filipe Brigas referiu que as pedras lhe partiram “o vidro de um carro” e “amolgaram mais dois”.

Mais de duas horas depois ainda havia, referiu, “carreiras e carreiras cheias de granizo nas vinhas”. “Nunca vi assim granizo tão grande na minha vida”, frisou.

Na freguesia vizinha de Guiães, também o presidente da junta, Paulo Correia, disse que “nunca tinha visto uma coisa assim” e referiu que o granizo e chuva provocaram consequências a nível das vinhas, também arrastaram pedras e terras para as estradas e inundações em algumas casas.

“Cerca de 80 a 90% das vinhas aqui da freguesia estão destruídas”, adiantou referindo que os viticultores foram para o terreno ao final da tarde avaliar os estragos e alguns derem início, de imediato, aos tratamentos.

O autarca antevê consequências a nível das vindimas e disse mesmo que, em “grande parte das vinhas” a vindima ficou feita esta segunda-feira. “As pessoas vão fazer tratamentos para conservar a videira”, salientou.

Viticultor em Guiões e presidente da Associação de Agricultores Douro e Corgo, Fernando Borges, disse que as videiras ficaram “apenas com as varas” e perderam “as folhas e os cachos de uvas que já estavam formados”.

“Tenho quase 50 anos e nunca vi nada assim. A trovoada destruiu tudo. Foi muito grave”, afirmou à Lusa. Para além dos estragos nas vinhas, este agricultor apontou ainda as consequências nas hortas e nas produções de batatas ou cebolas.

Fernando Borges planeia ir na terça-feira, “sem falta”, para o terreno aplicar os primeiros tratamentos para tentar “recuperar o pouco que ficou” e cicatrizar as videiras. Tem, no total, 20 hectares de vinha onde, até ao momento, já tinha aplicado seis tratamentos nas videiras, num investimento de cerca de sete mil euros. “E se calhar não vou ter uvas para fazer esse dinheiro”, salientou.

Após a queda de granizo, foram muitos os que partilharam fotografias nas redes sociais, bem como na página de Facebook “Meteo Trás-os-Montes“.

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