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Os anticorpos gerados pelo corpo em resposta à infeção pelo novo coronavírus ou pela vacinação podem, afinal, durar mais do que apenas alguns meses. É esta a conclusão de um estudo desenvolvido por um grupo de cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington, EUA, e da Universidade de Bergen, Noruega, publicado no final deste mês de maio na prestigiada revista Science.

Pela primeira vez desde o início da pandemia, os investigadores encontraram em pessoas que recuperaram da Covid-19 células plasmáticas de vida longa que são capazes de produzir anticorpos em caso de uma nova infeção, o que sugere uma proteção mais alargada — e até mesmo vitalícia — do que a que tem vindo a ser apontada por outros estudos.

Um desses estudos, desenvolvido em Portugal, concluiu que os anticorpos contra o coronavírus ficam no corpo até cinco meses após a infeção, um período “relativamente curto” para uma resposta imunitária, considerou o coordenador do trabalho, Marc Veldhoen, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes da Universidade de Lisboa. Vedhoen mostrou-se, no entanto, otimista relativamente aos resultados, uma vez que os anticorpos “podem circular, e é provável que circulem para a maioria das pessoas, durante esse tempo”, disse à Agência Lusa.

De acordo com o trabalho recentemente publicado na Science, após um doente ser dado com curado, o nível de anticorpos cai abruptamente nos quatro meses seguintes. Contudo, 11 meses depois, os investigadores foram ainda capazes de encontrar defesas contra o vírus.

“Esta é uma observação muito importante”, disse o imunologista Rafi Ahmed, da Universidade Emory, em Atlanta, cuja equipa descobriu as células identificadas por este novo trabalho nos anos 90. Porém, o especialista pediu cautela, lembrando à revista científica que ainda é demasiado cedo para perceber as consequências a longo prazo. “Não estamos a olhar para cinco anos, dez anos após a infeção”, afirmou.

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