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Na antecâmara do encontro que poderia dar o título ao FC Porto, Victor Iturriza, um dos heróis da Seleção que faz parte da espinha dorsal da equipa azul e branca e também de Portugal, queria fechar a questão do primeiro lugar mas colocava o discurso já focado nos jogos seguintes. Eram dois, poderiam valer bem mais do que isso.

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“Estamos preparados para este tipo de jogos, para estes momentos de grande intensidade e emoção. Acho que a equipa dá sempre uma boa resposta neste tipo de situações, por isso estamos prontos. Há um novo objetivo com que o treinador e a equipa se comprometeram: queremos ser a única equipa em Portugal a sagrar-se campeã só com vitórias. É um objetivo para cumprir e acho que temos todas as condições para o fazer”, destacava o pivô luso-cubano antes da partida que daria lugar à festa diante do Águas Santas, com um triunfo por 35-32, a que se seguiu mais um resultado volumoso no dérbi da Invicta frente ao Boavista por números “anormais” (46-31).

Essa partida, já depois da conquista do título, foi o exemplo paradigmático do que foi e é capaz de fazer a equipa de Magnus Andersson não só no panorama nacional mas também na Champions, onde foi eliminado de forma quase cruel nos oitavos por apenas um golo na Dinamarca frente ao Aalborg depois de um “apagão” nos últimos 20 minutos: quando precisa de ganhar os jogos na defesa, ganha; quando consegue ganhar os jogos pelo ataque, perante a variação de soluções ofensivas entre primeira linha, segunda linha e até jogo 7×6, ganha e dá ainda mais espectáculo. Mesmo assim, e à entrada para a última jornada do Campeonato com tudo decidido, surgia de longe como o melhor ataque mas também como a melhor defesa, neste caso com uma curta margem de cinco golos sobre o Sporting. E esse era outro dos pontos paralelos de interesse na 30.ª e última ronda da prova.

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“Podemos fazer história, algo que mais nenhuma equipa fez em Portugal. Não queremos perder nenhum ponto, por isso o nosso objetivo é ganhar o próximo jogo. Para nós é um jogo igual aos anteriores, como se fosse contra o Benfica ou o Sporting. Queremos entrar 100% focados e cumprir as indicações do treinador. Vamos usar este jogo como preparação para a Final Four da Taça de Portugal, por isso vamos dar tudo em campo”, referira antes da partida o guarda-redes Márton Székely, experiente internacional húngaro contratado ao Veszprém depois do trágico desaparecimento de Alfredo Quintana. “Estes três meses têm sido fantásticos. O pessoal, a equipa, o clube… Todos me receberam de braços abertos e deram-me muita ajuda. É muito fácil adaptar-me com este grande espírito coletivo e estamos felizes por termos ganho o primeiro título”, acrescentara aos canais do clube.

No final, o FC Porto não deu mesmo hipóteses ao Gaia, somando a 30.ª vitória noutros tantos jogos por 42-29 e falhando apenas o registo de melhor defesa perante o triunfo do Sporting diante do Águas Santas por 28-18, que carimbou o segundo lugar para os leões (o Benfica, que precisava que o conjunto de Alvalade perdesse tendo ainda de anular a desvantagem nos golos, perdeu com o Belenenses por 33-29). Ainda assim, cedo se percebeu que essa não seria a prioridade para Magnus Andersson, que em vários momentos foi preparando a Final Four da Taça onde os dragões irão defrontar o Águas Santas (a outra meia-final será entre Sporting e Benfica). Victor Iturriza (nove golos com 90% de eficácia) e Diogo Branquinho (sete) foram os melhores marcadores.