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A primeira fase do Campeonato de hóquei em patins foi mais atípica do que é normal, com mais pontos perdidos entre os principais candidatos em encontros onde na teoria partiam favoritos, mas houve um fator ainda assim mais “regular” que passou pela vantagem de jogar em casa (mesmo sem público). Foi isso que aconteceu na fase regular entre FC Porto e Benfica, com as águias a golearem na Luz logo na primeira jornada por 7-3 e os dragões a vencerem na 14.ª ronda por 4-2 no Dragão Caixa. Depois chegou o playoff. E tudo mudou.

Benfica volta a ser melhor, vence FC Porto no Dragão e está a um triunfo da final do Campeonato

Com o FC Porto a beneficiar do fator casa por ter acabado a fase regular na primeira posição, o Benfica começou a meia-final com um triunfo por 7-5 muito assente numa entrada diabólica com cinco golos em dez minutos e voltou a ganhar no jogo 2 por 6-5 havendo pelo meio uma Final Four da Liga Europeia onde os dragões tiveram a 11.ª final europeia seguida perdida. No entanto, e quando estava no momento mais complicado da temporada, os azuis e brancos conseguiram duas vitórias na Luz com vantagens construídas na primeira parte que foram no segundo tempo geridas da melhor forma (5-3 no jogo 3, 6-3 no jogo 4 com dois golos no último minuto quando as águias jogavam com cinco de campo) – e pelo meio ainda houve o caso Poka, suspenso e afastado pelos dragões após ter assinado contrato com o rival para a próxima época tendo um compromisso verbal para renovar.

FC Porto volta a vencer na Luz (sem o suspenso Poka) e força “negra” nas meias do Campeonato

Agora não havia margem de erro. Nem para um lado, nem para outro. Com a certeza de que, no final de 50 ou 60 minutos ou no desempate por grandes penalidades, apenas uma equipa seguiria para a final com o Sporting (que eliminou o Óquei de Barcelos com três triunfos) e outra tinha a época terminada, depois da suspensão da Taça de Portugal relativa a 2020/21. E foi o FC Porto a conseguir confirmar a remontada na eliminatória, com a exibição mais segura desta meia-final a terminar com uma goleada por 4-0 que assegurou a passagem à final.

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O início do encontro teve um Benfica mais assertivo em termos ofensivos mas sem grandes chances de golo para ambos os lados, num clássico com características diferentes onde as defesas foram claramente superiores em relação aos ataques também por estratégia dos conjuntos que só em raras ocasiões deixaram que o jogo ficasse partido para transições de 3×2. Xavi Malián assumiu-se como principal figura dos portistas, travando um livre direto de Lucas Ordóñez após cartão azul de Xavi Barroso e as tentativas ao longo do power play dos visitantes, mas Pedro Henriques não ficou atrás na baliza contrária até perto do intervalo, altura em que foi de novo uma individualidade a fazer a diferença e a conseguir finalmente furar o nulo que se ia prolongando.

Numa altura em que o jogo estava “fechado”, Di Benedetto conseguiu recuperar uma bola na defesa, combinou fácil num 2×1 e rematou sem hipóteses pelo corredor central para o 1-0 (21′), numa vantagem que só não ficou maior porque Gonçalo Alves não conseguiu enganar Pedro Henriques num livre direto após cartão azul a Diogo Rafael (22′). Contudo, e quase no final do power play, Rafa conseguiu aumentar para 2-0 após uma grande assistência de Gonçalo Alves (24′) em cima do intervalo que chegou com nove faltas para cada equipa.

Esse fator poderia ser muito importante para o desfecho logo no arranque da segunda parte mas nenhuma das equipas conseguiu aproveitar essas possibilidade de bola parada: Pedro Henriques travou um livre direto de Gonçalo Alves por falta sobre Reinaldo Garcia (28′), Xavi Malián defendeu um livre direto de Lucas Ordóñez pela décima falta do FC Porto (29′), Pedro Henriques voltou a estar melhor do que Di Benedetto em novo livre direto pela décima falta do Benfica (34′). As oportunidades eram muitas mas seria num erro crasso defensivo que iria nascer o golo que quase sentenciava o clássico, com Diogo Rafael a falhar um passe em zona proibida e Gonçalo Alves a ter um grande trabalho individual na área para o 3-0 a favor dos azuis e brancos (36′). Já a acabar, Di Benedetto, após assistência de Mena, aumentou ainda para 4-0 (47′), num encontro onde Pedro Henriques foi o melhor do Benfica mas Xavi Malián foi o melhor do jogo com uma exibição fantástica.