Os dados disponíveis mostram que os portugueses têm estado a reagir de forma positiva à vacinação e que a taxa de rejeição será pouco significativa. Segundo adiantou o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, apenas 5% das pessoas não aparece para a vacina após marcação. O valor é ainda mais baixo quando se fala daqueles que respondem “não” à SMS de marcação: 2%.

Na Grande Entrevista da RTP 3, esta quarta-feira à noite, o coordenador da task force para a elaboração do plano nacional de vacinação admitiu que os últimos 10% de uma faixa etária são os mais difíceis de vacinar, mas que essa dificuldade não se deve a uma recusa, mas a problemas de contacto. O que a task force sabe com base na experiência de vacinação das faixas etárias superiores é que estes 10% são compostos por pessoas que não têm o número de contacto atualizado, são infoexcluídas ou vivem em zonas isolados, o que dificulta o agendamento e a imunização.

Relativamente à fase em que o processo se encontra, Gouveia e Melo adiantou que a vacinação da faixa dos maiores de 60 anos deve ser concluída esta semana, estando a dos maiores de 50 anos já bem avançada. No caso desta, deverá atingir-se os 50% até domingo, numa média de 103 mil doses por dia. Este trata-se do maior valor semanal registado desde o início da pandemia, disse o vice-almirante, sendo superior ao registado nas últimas semanas (80 mil a 100 mil doses diárias).

De acordo com o vice-almirante, quando a faixa dos 30 anos estiver totalmente vacinada, processo que arranca este mês de junho, 70% da população portuguesa estará imunizada.

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Autoridades de saúde estudam formas de vacinar residentes não legalizados

Gouveia e Melo adiantou também que está a ser estudada uma forma de vacinar os residentes não legalizados, uma tarefa que não compete à task force, lembrou. “Neste momento está a ser estudado qual o processo para trazer, não os legalizados, porque estes estão perfeitamente identificados, mas os não legalizados ao processo de vacinação”, adiantou durante a Grande Entrevista.

Segundo o responsável, existe a necessidade de criar “um número no sistema nacional de saúde” para os residentes não legalizados, pois “têm de ser identificados de alguma forma perante os serviços de saúde, até para se seguir o processo de vacinação e alguma doença que possam ter”.

Relativamente à eventual vacinação de crianças e jovens, Gouveia e Melo disse que essa é uma matéria que está a ser analisada pela Direção-Geral da Saúde.

Gouveia e Melo mantém 8 de agosto como data da imunidade de grupo

Questionado sobre a imunidade de grupo, o coordenador da task force de vacinação disse que mantém a data de 8 de agosto com base nas “vacinas que estão previstas e com o conhecimento” que tem do processo. “Mas digo sempre se as vacinas chegarem a território nacional. Uma coisa que não fazemos é fabricar vacinas”, lembrou.

As doses em falta “estão a chegar” de forma faseada, continuando a ser registados alguns atrasos, mas “menos significativos” do que os aconteceram no início do processo de vacinação. Estas são são distribuídas de forma equitativa por todo o país. “Não há regiões nem dias especiais”, afirmou. “Se alguém tentar apontar uma vacina, terá muita dificuldade em o fazer”, uma vez que a distribuição é uma matriz “gigantesca” e complexa que tem em conta as doses e meios disponíveis e os agendamentos em falta.

Coordenador já vê “a luz ao fundo do túnel”

Questionado sobre a fase atual de combate à pandemia, Gouveia e Melo admitiu que já consegue ver “a luz ao fundo do túnel”. “O número de mortos por Covid baixou drasticamente, o número de internamentos por Covid baixou drasticamente, e muito disso se deve ao processo das vacinas”, disse, lembrando que, no último ano, morreram mais de 17 mil pessoas e que 96,4% tinham mais de 60 anos.

“O objetivo era vacinar as pessoas com mais de 60 anos. Atingimos esse objetivo entre a semana passada e esta semana. Já passámos a primeira fase do túnel. Temos de continuar para outras fases. A coisa mais importante é libertar a economia. Libertando a economia, libertamos a sociedade. Não é a normalidade total, mas é mais do que a que temos vivido nos últimos tempos”, considerou.