Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A Casa Real britânica proibiu a contratação de imigrantes ou de minorias étnicas para cargos administrativos no Palácio de Buckingham pelo menos até final da década de 1960, revelou uma investigação do The Guardian.

De acordo com diário britânico, uma regra imposta pelo Palácio de Buckingham proibia que “imigrantes de cor ou estrangeiros” acedessem a cargos administrativos, sendo que não é claro quando é que esta discriminação deixou de ser praticada. Em resposta ao The Guardian, a Casa Real britânica disse que é possível confirmar que desde 1990 que são contratados imigrantes ou membros de minorias étnicas. Antes dessa data, justifica o Palácio de Buckingham, não eram mantidos registos sobre a etnia dos funcionários.

As revelações feitas pelo Guardian têm por base documentos que constam dos Arquivos Nacionais e enquadram-se numa vasta investigação do jornal britânico sobre um mecanismo parlamentar conhecido como Queen’s t (consentimento da rainha). Na prática, este mecanismo “obscuro” dá poder à monarca para permitir ou não que determinadas leis, que afetem diretamente a Casa Real, quer em termos pessoais ou económicos, possam ser discutidas no parlamento.

Um dos exemplos da utilização deste mecanismo deu-se na década de 1960, quando o governo britânico expandiu as leis contra a discriminação racial no Reino Unido (que até então apenas criminalizava a discriminação em espaços públicos), ilegalizando a prática de recusar emprego a alguém com base na etnia.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Meghan viu a sua saúde mental em risco, enquanto a família questionava “quão escuro seria Archie”. As 12 revelações na entrevista a Oprah

Em resposta, a Casa Real informou que “não era prática nomear imigrantes de cor ou estrangeiros” para cargos administrativos, mas apenas para funções domésticos. Por isso, o Palácio de Buckingham, segundo o Guardian, ficou isento durante  mais de quatro décadas de cumprir as leis que promovem a igualdade étnica e racial, privando os seus funcionários de recorrer aos tribunais.

A investigação do jornal britânico The Guardian surge meses depois da entrevista de Meghan Markle e do príncipe Harry a Oprah Winfrey, em que o casal denunciava que a duquesa de Sussex se sentiu vítima de racismo dentro da Casa Real. Dias após a polémica entrevista dos duques de Sussex, o Palácio de Buckingham emitiu um comunicado a dar conta de que as acusações racistas por parte de Meghan Markle eram “preocupantes” e que iriam ser investigadas.

Acusações racistas são “preocupantes” e vão ser tratadas internamente, diz Palácio de Buckingham