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A história recente das finais da Liga de futsal mostra que uma vitória no jogo 1 tem menos peso e impacto do que tinha há alguns anos mas, ainda assim, todo o contexto do segundo encontro mudava de forma inevitável com o que se passara na partida inicial. O jogo 2 entre Benfica e Sporting, no Pavilhão da Luz, não seria exceção. E as características dos próximos 40 minutos até encontrar o novo campeão seriam feitos como reflexo do bom e do mau feito no Pavilhão João Rocha, onde os leões somaram a segunda vitória em quatro dérbis esta época (3-1 no jogo 1 da final, 6-2 na final da Taça da Liga, empates a três e a um na fase regular do Campeonato).

Sporting vence Benfica em Alvalade e ganha vantagem no objetivo de juntar título nacional ao europeu

“Foi um jogo duro, equilibrado, nem sempre bem jogado mas com equipas a entregarem-se a 100% em todos os lances. O Sporting foi mais vezes melhor do que o Benfica apesar de Benfica ter sido superior noutros momentos mas o resultado é justo, a vitória é justa. Mas é apenas 1-0. Faltam duas vitórias ao Sporting para ser campeão, ao Benfica faltam três. Está tudo em aberto. Há pontos que temos de melhorar. Não fomos pressionantes, deixámos o Benfica controlar a bola, podemos melhorar nas saídas do Roncaglio. Há sempre coisas a melhorar como a bola parada, ofensiva e defensiva. Houve erros que podemos corrigir”, comentou Nuno Dias.

“O Benfica fez um jogo muito comprometido com a procura do golo. A verdade é que na segunda parte, nos últimos 10 minutos, não tomámos sempre as melhores decisões e, em situações evidentes de finalização, acabámos por virar o pé, por procurar a opção de finalização quando já só tínhamos pela frente o Guitta e a baliza. Esses momentos sobressaem no resultado final registado, que não se traduz exclusivamente por esse aspeto. Foi um jogo equilibrado, competitivo e poderia ter tido mais golos para qualquer das duas equipas. Fica um sentimento de amargo de boca pelos números alcançados no jogo, porque criámos muito mais para fazer apenas um golo e que nos penaliza no resultado do jogo 1″, analisou Joel Rocha.

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Na ótica dos treinadores, houve de novo vários pontos que não terão funcionado como pretendiam; na ótica do jogo e do espectáculo, o dérbi do segundo encontro da final foi um verdadeiro hino à modalidade, num dos melhores duelos dos últimos tempos que teve de ir a prolongamento e que terminou com o Benfica a empatar a eliminatória com uma vitória por 7-5 que quebrou uma série de 52 jogos sem derrotas dos leões que vinha desde uma derrota do conjunto de Nuno Dias na final da Taça da Liga com os encarnados em janeiro de 2020.

O encontro começou de novo com um golo madrugador mas desta vez para o Benfica, com Tayemi a rematar rasteiro descaído na esquerda num lance em que o banco do Sporting ficou a protestar uma falta anterior no meio-campo contrário sobre Pany Varela (2′). No entanto, a resposta não demorou: naquela que foi a primeira abordagem com perigo à baliza de Roncaglio, Taynan combinou em zona central com Erick, surgiu sozinho à frente do guarda-redes brasileiro e só teve de escolher o lado para fazer o empate na Luz (5′). O encontro estava num ritmo fortíssimo, com os ataques bem melhores do que as defesas e com as equipas a rodarem jogadores.

Também como tinha acontecido no jogo 1, no Pavilhão João Rocha, Zicky Té entrou e não demorou a fazer a diferença também com muito demérito dos encarnados: primeiro aproveitou um erro numa saída de bola que ficou entre Roncaglio e Silvestre mas falhou isolado; ainda no mesmo minuto ganhou numa pressão alta a Tayemi (também com protestos de falta) e só teve de assistir Pany Varela para a reviravolta (6′). Os encarnados tentaram depois a resposta, criaram duas boas situações com Roncaglio avançado, mas o Sporting foi melhor na gestão dos momentos de pressão alta e defesa mais baixa, aproveitando mais um erro de palmatória do guarda-redes do Benfica para aumentar a vantagem para 3-1 por Pauleta, que só teve de encostar para a baliza (10′).

Em dez minutos já tinha havido tantos golos no jogo 2 como em todo o jogo 1, sendo que o Benfica teria de correr alguns riscos para reduzir o marcador e o Sporting estava apostado em aproveitar esses potenciais espaços para aumentar a sua vantagem. E as contas não ficariam mesmo por aí até ao intervalo, com os encarnados a terem movimentações ofensivas muito interessantes a desmontar a defesa verde e branca como aquela que Robinho, da direita para o meio, aproveitou para fazer o 3-2 (11′). O golo teve o condão de reforçar em termos mentais o Benfica, que chegou mesmo ao empate de penálti por Tayemi (14′) e andou próximo de nova reviravolta.

Depois da melhor primeira parte em dérbis dos últimos largos tempos, o segundo tempo ia começar com tudo na mesma em termos de resultado e com a incerteza a manter-se: o Benfica entrou melhor, conseguiu fazer valer a pressão alta para condicionar e muito o jogo ofensivo dos leões mas acabou por ser o Sporting a passar de novo para a frente num livre trabalhado com assistência de Merlim para Taynan em mais uma falta sofrida pelo inevitável Zicly Té (23′). O brasileiro que chegou a Alvalade vindo do Kayrat bisava e não demoraria a chegar ao hat-trick, em mais um livre desta vez direto que apanhou toda a defesa encarnada desprevenida (26′).

À semelhança do que se tinha passado na primeira parte, o Benfica “desligou” do jogo alguns minutos, mostrou-se desconcentrado em algumas ações e acabou por pagar por isso. No entanto, e tal como tinha acontecido antes do intervalo, a equipa de Joel Rocha nunca desistiu da partida, foi aumentando a pressão e a agressividade com e sem bola, e voltou a recuperar no marcador, reduzindo por Arthur após assistência de Robinho (31′), colocando de novo o jogo empatado por Jacaré, a desviar à boca da baliza após grande jogada de Rafael Henmi (34′) e tendo ainda uma bola no poste a um minuto e meio do final, com um remate de Robinho sem Guitta na baliza, após uma série de bolas paradas entre livres, cantos e reposições laterais leoninas que provocaram perigo.

Ia tudo para prolongamento, com Joel Rocha a arriscar de início guarda-redes avançado com Tiago Brito e a ver o internacional português surgir ao segundo poste marcar o 6-5 (44′) que viria a definir um dérbi de loucos na Luz antes de Fábio Cecílio aumentar a vantagem dos encarnados numa saída rápida no início da segunda parte do prolongamento (47′), colocando pela primeira vez o Benfica com dois golos de avanço na frente. O máximo que o Sporting conseguiria foi acertar no poste por Merlim, que estava como guarda-redes avançado (48′).