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No final, virou o disco e tocou o mesmo: apesar das duas vitórias iniciais fora do Benfica frente ao FC Porto e da excelente réplica que o Óquei de Barcelos ofereceu ao Sporting, os dois primeiros classificados da fase regular conseguiram carimbar acesso à eliminatória decisiva do Campeonato de hóquei em patins agora em versão de playoff, em mais uma dose de pelo menos três duelos que se juntavam a outros dez só nos últimos pouco mais de três anos, entre Campeonato, Taça de Portugal, Liga Europeia e Taça Continental. E havia algumas contas por “vingar”, sobretudo do lado dos azuis e brancos que começavam a fase decisiva no Dragão Arena.

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Nesse período, os comandados de Guillem Cabestany sagraram-se campeões em 2019, naquele que foi o último título da modalidade, mas perderam com os leões duas finais da Liga Europeia (troféu que os dragões já não ganham desde 1990), uma final da Taça Continental e também a possibilidade de chegarem à final da Taça de Portugal de 2019, prova que tinham vencido nos três anos anteriores. “Sabemos que vão ser três, quatro ou cinco batalhas muito duras, pois o Sporting também tem uma equipa muito boa. Se está na final, é porque fez por isso. Já jogámos muitas vezes contra eles e eles conhecem-nos como nós os conhecemos. Vai ser uma grande luta em todos os jogos, mas quando se está numa final é para ganhar e não para participar”, comentara na antevisão Carlos Di Benedetto, francês que tem dado um contributo importante mesmo saindo do banco.

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Do lado do Sporting, o grande desafio passava por superar aquilo que tem sido uma autêntica barreira ao longo de décadas: ganhar fora o clássico. Na fase de regular houve empate, no início dos anos 80 também se tinha registado uma igualdade na fase final, mas era preciso recuar ao ano de 1977, quando o Cinco Maravilha se sagrou campeão europeu pela primeira vez, para se ver uma vitória dos leões na Invicta entre Campeonato, Taça de Portugal, Supertaça ou Liga Europeia. “Vão estar frente a frente as duas melhores equipas desta época. Sabemos, tal como o FC Porto, que os momentos de controlo na partida vão ser repartidos. A eficácia e os erros nos momentos decisivos vão ser determinantes para o resultado. Os jogadores estão preparados e muito disponíveis para lutar. As finais não são para jogar mas sim para ganhar”, salientara o técnico Paulo Freitas.

Chegava o primeiro duelo, chegava a primeira vitória do FC Porto, que deu prolongamento às boas primeiras partes nos últimos três jogos da eliminatória com o Benfica para conseguir uma vantagem de dois golos que seria depois determinante para o que aconteceria no segundo tempo. No final, os dragões venceram por 3-1 e estão em vantagem na final, que terá agora o jogo 2 no Pavilhão João Rocha, na próxima quinta-feira.

O encontro começou vivo e com duas bolas no poste em minutos consecutivos, com Xavi Barroso a acertar no ferro num lance em que Girão estava batido e logo na resposta Platero a atirar à trave após combinação com Toni Pérez. Depois, e em menos de cinco minutos, o FC Porto saltou para a frente e materializou o ascendente nessa fase com dois golos que fizeram o resultado ao intervalo (2-0): primeiro foi Gonçalo Alves a ter um bom trabalho antes de rematar colocado (8′), depois foi Di Benedetto a confirmar o grande momento que atravessa e a aumentar a vantagem (12′). Os dragões estavam mais confortáveis no jogo, continuavam a contar com um muro na baliza chamado Xavi Malián e criaram ainda algumas oportunidades para fazerem mais golos.

No segundo tempo, que teve um cartão azul em simultâneo a Toni Pérez e Di Benedetto logo a abrir (29′), os leões procuraram forçar um pouco mais em termos ofensivos mas viram o FC Porto aumentar a vantagem na décima falta, com Gonçalo Alves a não perdoar e a fazer o 3-0 de livre direto (32′). Os dragões tinham o jogo na mão mas acabaram por sofrer logo de seguida o 3-1 num lance fantástico de Ferran Font por trás da baliza (32′), deixando em aberto o clássico até ao minuto 38 que seria decisivo para a partida: com os azuis e brancos com nove faltas, Reinaldo Garcia viu azul, Romero não marcou o livre direto e o Sporting não conseguiu aproveitar a situação de power play, ficando assim mais longe de chegar ao empate com todas as condições para isso.

Além de não ter conseguido reduzir ainda mais a desvantagem, o conjunto de Paulo Freitas foi somando faltas sem conseguir a décima dos azuis e brancos e ficou depois reduzido após novo cartão azul a Pedro Gil a quatro minutos do final, que não resultou em golo porque Gonçalo Alves falhou o livre direto mas permitiu que o FC Porto fosse gerindo a partida em power play, que terminou com pouco mais de dois minutos por jogar. O jogo 1 estava escrito e os dragões colocavam-se na frente da final com a quarta vitória consecutiva em clássicos (três com o Benfica, uma com o Sporting) vendo Xavi Malián defender ainda um livre direto de Ferran Font (50′).