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– Foi outra vez um Miguel masterclass, sem colocares nunca o pé de forma errada e sem nenhum erro a dificultar a tarefa de todos os outros rivais. Quão feliz estás tu?

Mais história: Miguel Oliveira ganha Grande Prémio da Catalunha e terceira vitória de sempre no MotoGP

A pergunta na primeira zona de entrevistas rápidas a Miguel Oliveira acabava por resumir tudo o que se tinha passado ao longo do Grande Prémio da Catalunha, onde o português voltou a puxar dos cálculos de Einstein para fazer uma corrida fabulosa sempre com tempos de relógio suíço na casa do 1.40 que lhe permitiu não só liderar durante quase todas as voltas mas também ter a distância suficiente para se defender do ataque final de Johann Zarco quando Fabio Quartararo já pagava a fatura do desgaste dos pneus que lhe custou até o pódio.

“É difícil colocar em palavras… Fiz uma das melhores corridas de sempre, sei disso. Foi muito complicado, gerir a temperatura dos pneus, ter a pressão do Fabio [Quartararo] durante tantas voltas, depois consegui ser frio quando ele me conseguiu passar e vi que era possível voltar para a liderança outra vez… Foi uma corrida perfeita. Não tenho palavras para agradecer à KTM terem-me colocado uma máquina fantástica nas mãos para poder chegar ao lugar mais alto do pódio”, começou por comentar o piloto de Almada.

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“Só posso agradecer também a todos os fãs que marcaram presença aqui [24.000 espectadores, com várias bandeiras de Portugal nas bancadas do circuito], tudo foi fantástico durante este fim de semana e sabe muito bem ver as coisas começarem a voltar ao normal”, concluiu o português nessa primeira flash interview.

A própria organização não colocava muitas fichas no triunfo do piloto da KTM, como se percebeu de uma forma indireta pela forma como colocavam nos grafismos antes da corrida Johann Zarco, Jack Miller, Pecco Bagnaia e Joan Mir como candidatos a derrotar um super Fabio Quartararo que somara a quinta pole position seguida. A previsão falhou por completo e o português não deu hipóteses à concorrência, que se rendeu a uma exibição a roçar a perfeição que foi reconhecida por exemplo pelo australiano Jack Miller. E a festa foi grande.

Apesar de ter sido a terceira vitória no MotoGP, foi o primeiro triunfo conseguido por Miguel Oliveira fora do seu país e acompanhado pela família, algo que não conseguiu fazer no ano passado após o Grande Prémio da Estíria. E logo num circuito de Montmeló que está marcado na carreira do piloto de Almada, por ter sido aquele onde conseguiu o primeiro pódio no Moto3, em 2012. Daí para cá, Oliveira fez mais um terceiro lugar e um segundo no Moto2, tendo desistido em 2020 após uma queda. Este domingo chegou a primeira vitória na Catalunha.

Mal acabou a corrida, o piloto da KTM seguiu em frente, festejou com os comissários de pista o triunfo, parou a moto e seguiu disparado para uma zona de bancadas onde estavam concentrados mais adeptos nacionais, tendo trazido também uma bandeira portuguesa que levou nas costas até regressar à zona do circuito reservada para os três elementos que subiriam ao pódio. Aí, abraçou a família e a equipa, trocou um cumprimento mais especial com o diretor Pit Beirer e colocou-se em cima da moto depois de uma celebração anterior à Cristiano Ronaldo. Mais tarde, no pódio, esteve com o também português, Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo, antes de mais uma homenagem a Jason Dupasquier, piloto luso-suíço que faleceu após um violento acidente numa queda na qualificação do Moto3 para o Grande Prémio de Itália.