A Amnistia Internacional exigiu esta segunda-feira aos países mais ricos que se tornem neutros em emissões carbónicas até 2030, mas deixou mais 20 anos para os países de “médios e baixos rendimentos” fazerem o mesmo.

A organização internacional de defesa dos direitos humanos denuncia que, ao apoiarem as indústrias que vivem da extração de combustíveis fósseis, “os governos mais ricos do mundo estão a condenar de facto milhões de pessoas à fome e à seca” e a terem de sair das zonas onde vivem.

Os países industrializados prósperos, incluindo os membros do G7, têm que atingir emissões zero o mais cedo possível até 2030. Os países de rendimentos médios com maior capacidade, tal como a China e a África do Sul, têm que apontar para reduzir as emissões a metade até 2030 ou o mais cedo possível e chegar a zero até 2050. Outros países de rendimento médio e baixo devem apontar para zero até 2050″, pede a Amnistia Internacional (AI).

Antecipando a cimeira do G7 que decorre entre 11 e 13 de junho, a AI considera que direitos humanos e combustíveis fósseis não podem coexistir.

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A organização de defesa dos direitos humanos afirma que as 20 maiores economias mundiais são responsáveis por quase 80 por cento das emissões globais de gases com efeito de estufa, mas “apenas sete apresentaram às Nações Unidas as suas metas para reduzir emissões até 2030″.

Durante a pandemia, muitos países do G20 aprovaram medidas incondicionais de estímulo económico aos combustíveis fósseis e a companhias de aviação, mesmo sabendo que subsidiar estas indústrias vai fazer mal a milhões de pessoas”, afirma a AI.

A consultora da Amnistia para os Direitos Humanos e Políticas Ambientais, Chiara Liguori, apontou que “historicamente, o G7 e os outros países industrializados prósperos são os que emitem mais dióxido de carbono e têm as maiores responsabilidades pela atual crise climática”, mas também têm “a maior parte dos recursos para a travar”.

A AI exige que as maiores economias imponham “regulamentações para exigir às empresas que mudem para energias renováveis e parem de usar os impostos para subsidiar a mortífera indústria dos combustíveis fósseis”. Pede ainda que seja assegurada uma “transição justa para os trabalhadores e comunidades afetadas pelas alterações climáticas e pelo processo de descarbonização”.