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A polícia norueguesa revelou esta segunda-feira que o corpo encontrado na costa daquele país nórdico, em janeiro deste ano, era de um bebé curdo de 15 meses, que estava desaparecido desde outubro do ano passado, depois de um naufrágio no Canal da Mancha.

De acordo com a BBC, o bebé curdo de nacionalidade iraniana, chamado Artin, morreu juntamente com quatro outros membros da sua família depois de o pequeno barco em que procuravam chegar ao Reino Unido a partir de França ter naufragado no canal.

O corpo foi encontrado no dia 1 de janeiro perto de Karmøy, na costa sudoeste do país, a cerca de mil quilómetros do Canal da Mancha, pelo Mar do Norte.

Em declarações à BBC, uma responsável da polícia norueguesa, Camilla Tjelle Waage, confirmou que a descoberta do corpo em janeiro espoletou uma investigação a fundo. “Não tínhamos nenhum relato de um bebé desaparecido na Noruega e nenhuma família tinha contactado a polícia“, disse a responsável. “O macacão azul também não era de uma marca norueguesa, o que indicou que o bebé não seria da Noruega.”

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As autoridades norueguesas, em parceria com a Universidade de Oslo, realizaram exames ao ADN da criança, que ao fim de seis meses conduziram à família de Artin. No dia 27 de outubro esta família procurou atravessar o Canal de Mancha para chegar ao Reino Unido, após uma longa viagem desde o noroeste do Irão, que tinha começado em agosto do ano passado.

O naufrágio do barco, que já está a ser investigado pelas autoridades francesas, resultou na morte dos pais, ambos com 35 anos de idade, e dos irmãos (Anita, de 9 anos, e Armin, de seis) — mas o corpo do bebé Artin estava desaparecido desde então.

A polícia da Noruega conseguiu contactar uma familiar de Artin — uma tia, de nome Nihayat, que vive na Suíça —, que já pôs em marcha o processo para tratar da trasladação do corpo para o Irão.

Artin e a família fazem parte de milhares de iranianos de etnia curda que, todos os anos, procuram chegar à Europa através de uma perigosa rota que atravessa a Turquia, a Grécia, a Itália e França — e que depende de traficantes humanos para assegurar as viagens em condições precárias.