A CP realizou 203 dos 810 comboios que tinha programados até às 16h00 desta segunda-feira, devido ao impacto da greve dos revisores e trabalhadores de bilheteiras, revelou fonte oficial da transportadora à Lusa.

Ainda assim, de acordo com os mesmos dados, foram realizados mais 24 comboios do que os previstos nos serviços mínimos.

O maior impacto da paralisação foi em Lisboa, onde dos 384 comboios programados se realizaram 96, e no Porto, com 40 composições a circular, de 163 previstas.

No caso do regional foram realizados 59 comboios de 228 e circularam oito composições de longo curso, de um total de 35 previstas.

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Greve levou à supressão de cerca de 60% das ligações entre as 00h e as 10h

O segundo dia de greve dos trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP continua a ser marcado por fortes constrangimentos. Entre as 00h e as 10h desta segunda-feira, não circularam cerca de 60% dos comboios previstos.

Fonte da CP adiantou à Rádio Observador que das 438 ligações previstas, apenas foram efetuadas 175. Além disso, dos serviços mínimos definidos, “circularam mais nove comboios adicionais”, revelou a mesma fonte.

Já o sindicato dos trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP registava cerca das 9h30 “uma adesão maciça”, estando a ser cumpridos os serviços mínimos e com a maioria das bilheteiras encerradas, disse fonte sindical.

Os trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP — Comboios de Portugal cumprem esta segunda-feira o segundo de três dias de greve, em protesto contra a proposta de regulamento de carreiras e reclamando aumentos salariais e o cumprimento do acordo de empresa.

De acordo com o balanço feito pela CP à Lusa às 8h30, ficaram parados 36 dos 67 comboios programados. Entre as 00h00 e as 6h00 desta segunda-feira foram efetuados 31 comboios, 29 dos serviços mínimos (todos realizados) e mais dois adicionais.

“Esta segunda-feira de facto verificamos que há uma adesão maciça a este pré-aviso de greve. Estamos a cumprir os serviços mínimos. Há um ou outro comboio a mais a circular de forma residual. De um modo geral as bilheteiras estão na sua maioria encerradas ou a trabalhar com um número reduzido de trabalhadores”, disse à Lusa Luís Bravo, do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), que convocou a paralisação. De acordo com Luís Bravo, esta “adesão maciça” demonstra o “grande descontentamento” dos trabalhadores.

“Não se aceita que um conselho de administração aprove um orçamento em que tenha apenas previsão de aumento salarial para os trabalhadores que estão a transitar da EMEF para a CP e exclua todos os outros. Transmite uma mensagem de que para este conselho de administração só os trabalhadores das oficinas importam e todos os outros não importam para nada”, disse.

No entendimento do sindicato, “a situação é revoltante”, salientando que nos últimos 10 anos os trabalhadores receberam apenas aumentos residuais.

Os trabalhadores da CP iniciaram no domingo uma greve nacional de três dias em protesto contra a proposta de regulamento de carreiras apresentada pela CP, que dizem prever “um aumento da polivalência de funções” e a “junção e extinção de categorias profissionais”, considerando que tal “vai pôr em causa postos de trabalho presentes e futuros”.

Reclamam igualmente a “melhoria do salário base, que atualmente está no limiar do salário mínimo nacional”, e a “reposição das perdas salariais sofridas pelos ferroviários operacionais que foram contagiados pela pandemia provocada pela Covid-19, bem como pelos que tiveram de cumprir confinamento profilático por estarem em contacto com colegas infetados”.

A CP alertou que durante os três dias de greve convocada pelo SFRI “podem ocorrer fortes perturbações na circulação de comboios a nível nacional”. O SFRCI acusa a CP de “violação do acordo de empresa em vigor” e exige a “aplicação do acordo assinado com o Ministério das Infraestruturas em 2018, relativo à certificação do agente de acompanhamento”.

“Há um acordo assinado até com todos os sindicatos da empresa para a certificação dos trabalhadores que podem fazer o acompanhamento de comboios, como os revisores, trabalhadores das bilheteiras, chefias diretas, e o IMT teima em não certificar estes homens e ao mesmo tempo certifica com o mesmo tipo de formação e entidade formadora os trabalhadores das empresas privadas. Isto não se entende”, contou Luís Bravo.

A “manutenção dos níveis segurança ferroviária” é outra das reivindicações feitas, com o sindicato a considerar que estes “estão a ser colocados em causa pela CP e pelas alterações impostas pelo IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes] aos regulamentos gerais de segurança, cujo objetivo é servir as empresas privadas que reduzem postos de trabalho e custos com segurança ferroviária”.

Finalmente, a greve visa condenar o “abuso do poder disciplinar” que os trabalhadores dizem vigorar na CP. De acordo com o dirigente do SFRCI António Lemos, são abrangidos pelo pré-aviso de greve “800 a 1.000 trabalhadores” das carreiras comercial e de transportes da CP.

A CP informou que quem já tiver bilhetes para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Internacional, InterRegional e Regional, poderá solicitar o reembolso do valor total do bilhete adquirido ou a sua revalidação, sem custos.

Notícia atualizada às 18h30, com informação da CP relativa ao número de comboios que circularam até às 16h