Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A administração da vacina contra a Covid-19 em grávidas ainda é um tema que sugere muitas dúvidas, mesmo dentro da própria comunidade científica. No entanto, vários especialistas defendem que os benefícios superam os riscos na vacinação das mulheres grávidas, e que estas deveriam até ter prioridade por serem consideradas um grupo de risco. Ao jornal Expresso, nesta segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) refere que o tema está a ser estudado como uma possibilidade num grupo de trabalho que integra o Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos.

Os dois especialistas ouvidos pelo semanário, Nuno Vale, investigador na área de Farmacologia do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, e Luís Delgado, imunologista e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, mencionam os estudos de acompanhamento a mulheres grávidas vacinadas nos Estados Unidos da América. Dizem não terem surgido ainda sinais de alarme e que os dados têm vindo a corroborar a segurança do fármaco e até a produção de anticorpos mostra que as vacinas parecem induzir uma boa resposta na gravidez.

As grávidas devem ser vacinadas contra a Covid-19? Não há consenso nem certezas

Questionada pelo Expresso perante os dados mais recentes, a DGS adiantou que o assunto estaria a ser avaliado com a Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19. Dessa comissão faz parte o Colégio da Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia da Ordem dos Médicos que, numa entrevista à SIC na semana passada, afirmou que os benefícios seriam superiores aos riscos e que estariam a ser preparadas orientações nacionais sobre a vacinação na grávida.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Publicadas as orientações da Direção-Geral da Saúde as grávidas terão que constituir um grupo de risco, uma vez que só temos uma janela de oportunidade, a gravidez é limitada, tem trimestres próprios e será de todo conveniente serem uma população prioritária”, referiu na reportagem a médica Maria do Céu Almeida, que faz parte da direção do Colégio.

A Direção-Geral da Saúde, em declarações ao Observador em Abril, assinalava que a “experiência com a utilização das vacinas contra a Covid-19 em mulheres grávidas é limitada”, ainda que saliente que as “evidências científicas, nomeadamente estudos em animais, não indicaram, até ao momento, efeitos negativos no feto ou na grávida”. Na sua página oficial, é ainda possível ler que “a administração da vacina em mulheres grávidas deve ser avaliada pelo médico assistente, de acordo com a relação benefício-risco”.