O jogo 1 da final do Campeonato de hóquei em patins tinha essa curiosidade de perceber até que ponto o maior desgaste pela longa eliminatória frente ao Benfica, com cinco jogos intensos e com mais golos do que se poderia pensar com grande alternância no resultado, poderia deixar mossa no FC Porto, no jogo frente a um Sporting que resolveu as meias com três triunfos seguidos diante do Óquei de Barcelos. Não deixou, nenhuma. E até com alguma naturalidade, aproveitando dois golos em quatro minutos no primeiro tempo, ganhou por 3-1.

As três vitória consecutivas frente ao Benfica, após dois desaires iniciais no Dragão Arena com a derrota na final da Liga Europeia com os leões pelo meio, foram um aditivo de confiança para a equipa de Guillem Cabestany mas esse primeiro triunfo provou também algo que já se vira com os encarnados: o FC Porto era tanto mais forte consoante a entrada em campo e a vantagem inicial que conseguisse. Foi isso que se confirmou até ao intervalo, que chegou com uma vantagem de 2-0. Depois, tudo mudou. E os cinco golos do Sporting em menos de oito minutos viraram por completo o jogo 2, que acabou com vitória leonina por 6-3 e empate na final.

O Sporting entrou a tentar comandar o encontro com ataques mais organizados mas a explorar também todas as possíveis saídas rápidas, procurando uma vantagem inicial que permitisse outra gestão no clássico, mas Gonçalo Alves voltou a fazer das suas e, em mais um grande trabalho individual, inaugurou o marcador logo no terceiro minuto, comum ligeiro toque por baixo de Ângelo Girão na área. Esse 1-0 colocou depois durante alguns minutos os azuis e brancos a poderem fazer aquele jogo mais de transições que tanto gostam, criando oportunidades para aumentar a vantagem até haver uma reação sobretudo a nível de organização dos leões mesmo sem conseguir materializar as chances que foi começando também a gizar perto da baliza de Xavi Malián.

Os descontos de tempo foram surgindo, a toada do jogo mantinha-se. Na parte final, o Sporting tentou forçar um pouco mais no plano ofensivo antes do intervalo, tentando levar o encontro empatado para o descanso, mas foi o FC Porto que aumentou a vantagem a um minuto e meio dessa pausa, com os leões a protestarem uma possível falta sobre Matías Platero antes de uma situação de 3×2 explorada da melhor forma por Gonçalo Alves, Cocco e Reinaldo Garcia, com desvio final ao segundo poste do argentino para apontar o 2-0 sem hipóteses para Girão.

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O Sporting teria de entrar de outra forma no segundo tempo para evitar uma derrota que, não sendo decisiva, poderia mudar por completo as contas pelo título e foi isso que aconteceu, na sequência de um cartão azul a Gonçalo Alves por falta sobre Pedro Gil que Ferran Font não conseguiu aproveitar de livre direto (29′) mas que permitiu a Gonzalo Romero reduzir a desvantagem em situação de power play (30′). O FC Porto sentia mais dificuldades nas transições, embora tenha ainda acertado no poste por Xavi Barroso após defesa de Girão (37′), mas o Sporting, mesmo forçando o empate, sentia problemas em explorar o habitual jogo mais interior.

No entanto, tudo mudou num minuto – e até esse jogo interior apareceu. Gonzalo Romero, a grande figura na transformação do Sporting no segundo tempo, aproveitou um bloqueio que “prendeu” Di Benedetto para fazer o empate num fantástico remate de longe sem hipóteses para Xavi Malián (41′) e Toni Pérez, logo no minuto seguinte, consumou a reviravolta com um desvio oportuno na área (42′). O encontro voltava a abrir, com os leões a terem mais espaços nas transições e o FC Porto a subir as suas linhas, tendo duas oportunidades flagrantes por Rafa e Gonçalo Alves, mas um livre direto irrepreensível de Romero (45′) desequilibrou por completo o jogo, antes dos golos de Toni Pérez (46′), Gonçalo Alves (46′) e Verona (47′) que fecharam o triunfo.