“Que isto seja uma lição para todos os pervertidos misóginos no desporto e para os seus lambe-botas — Já não podem continuar a explorar mulheres jovens e raparigas, fazê-las sentir vergonha do seu corpo ou temer pela sua saúde e depois esperar que elas vos representem para que possam ganhar o vosso bónus anual. Acabou o tempo.”

Foi desta forma e através de publicações nas suas redes sociais que Maddie Groves, nadadora olímpica australiana de 26 anos, duas vezes medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, anunciou esta quinta-feira que não vai participar nas provas para integrar a delegação enviada pelo país a Tóquio.

A atleta, que sofre de endometriose e adenomiose, duas doenças ginecológicas passíveis de provocar dores intensas e infertilidade, podendo em casos graves levar à remoção do útero, não apontou nomes nem concretizou de que forma os “pervertidos” cuja existência denunciou a afetaram diretamente — nem sequer se as acusações estão relacionadas com as doenças uterinas, que realça na sua apresentação nas redes sociais e que já a fizeram ser submetida a duas cirurgias.

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Mas em novembro do ano passado, também pelo mesmo meio, Groves revelou que tinha formalizado uma queixa contra alguém que a tinha feito sentir-se “desconfortável” pela forma como olhou para ela, vestida apenas com um fato de banho. Na mesma altura, a nadadora contou também que, após ter sido operada, outra pessoa da equipa lhe disse que ela “não merecia mais ajuda”.

“Acho que primeiro ele passou por uma espécie de processo de desenvolvimento pessoal, para aprender a não ficar a olhar para jovens mulheres de fato de banho, DEPOIS foi promovido”, escreveu a atleta, natural de Queensland, na altura e recuperaram agora os jornais australianos.

O Swimming Australia (SA), o organismo que tutela a natação naquele país disse à imprensa local que, apesar de ter tentado contactar Maddie Groves para aprofundar as denúncias, tanto em dezembro de 2020 como agora, a atleta não se mostrou até à data disponível para dar mais informações sobre os casos. E assegurou também que o SA não tem, em arquivo ou pendentes, quaisquer queixas anteriores formalizadas pela atleta.

“Todas as alegações relativas ao abuso de menores ou a má conduta sexual são levadas a sério pela Swimming Australia. Consideramos que o bem-estar, segurança e bem-estar das crianças e dos jovens é primordial, e temos o dever de fazer averiguações para manter os padrões do nosso desporto”, garantiu ainda o comunicado, enviado por escrito às redações.

Apesar de ter decidido deixar a equipa olímpica de natação da Austrália antes mesmo das provas de qualificação, que vão decorrer este fim de semana em Adelaide, Maddie Groves garante que não tenciona abandonar a competição e que até está “ansiosa” por voltar a nadar, em eventos no final do ano.

“Se começar esta conversa salvar uma miúda apenas de algo como ouvir que tem de perder peso ou fazer dieta, então não ir aos Jogos Olímpicos vai valer a pena”, rematou a atleta olímpica nas redes sociais.