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Paulo Portas considera que o caso que envolveu a transmissão indevida dos dados pessoais de ativistas anti-Putin às autoridades russas “mudou o vento da campanha eleitoral” em Lisboa. “Fernando Medina queria tudo menos isto.”

No seu habitual espaço de comentário na TVI, o antigo vice-primeiro-ministro começou por dizer que Fernando Medina “provavelmente” estaria à espera de “uma campanha relativamente olímpica”, até vinha demonstrando “algum desdém pelos seus adversários“, mas, de repente, “está à defesa e atrapalhado nas declarações”.

Sobre o caso em concreto, o ex-líder do CDS classificou o incidente como sendo “bastante grave“, prejudicial para a reputação de Lisboa e que torna evidentes “sérias deficiências de gestão e de supervisão dentro da Câmara de Lisboa”.

“A Câmara é apanhada no meio de um novelo que mostra que ela falha algumas coisas essenciais do tempo digital em que nós vivemos A proteção de dados é uma questão crítica deste século, deste tempo, incluindo na política”, argumentou.

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Portas recordou ainda que tudo isto aconteceu durante a Presidência Portuguesa da União Europeia. “É pena que tenha começado como uma questão, a do novo procurador europeu sobre a independência do poder judicial, e termine com uma questão sobre o respeito pelos direitos fundamentais em Portugal”.

A terminar, o democrata-cristão recordou dois aspetos que revelam alguma “bizarria“: primeiro, que o Encarregado de Protecção de Dados, uma figura prevista no Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD), em vigor desde 25 de maio de 2018 na União Europeia e que todas as entidades públicas devem ter, não tenha visitado o “gabinete de apoio ao presidente da Câmara” — precisamente onde nasceu o erro. “É uma coisa que me escapa“, notou Portas.

Até porque, continuou, foi precisamente este o mesmo gabinete responsável por não ter transmitido à equipa de Fernando Medina o parecer da PSP que ‘chumbava’ a concentração de adeptos sportinguistas junto ao Estádio de Alvalade.

Isto revela uma enorme fraqueza e défice de controlo e exigência. Há cinco semanas aconteceu isso no Sporting e que eu saiba ninguém foi suspenso ou removido”, rematou.