Os comportamentos que Tomás Gimeno, o espanhol que matou as filhas Anna e Olivia em Santa Cruz de Tenerife (Ilhas Canárias), exibiu nos dias anteriores aos crimes poderiam ter servido de sinal de que o homem planeava, pelo menos, afastar-se da família e que estava, de alguma forma, a despedir-se. Um dos primeiros sinais transpareceu quando Tomás visitou o pai e o abraçou à despedida — um ato de afeto que não era comum entre os dois e que o avô das crianças relatou às autoridades assim que o filho se tornou suspeito dos crimes.

Outro sinal, que o Observador já relatou esta semana, foi a carta de despedida que Tomás deixou à atual namorada, diretora de um centro infantil que a menina mais velha frequentava às terças e quintas-feiras entre as 13h e as 17h. A carta foi entregue às cinco da tarde no dia do desaparecimento das meninas. Uma nota indicava que a mulher só a deveria abrir às 23h, mas a namorada leu-a às 17h20. No interior estavam 6.200 euros, mas nenhum indício expresso de que Tomás tencionava raptar e matar as próprias filhas.

Antes de matar as filhas, Tomás Gimeno entregou dinheiro e uma carta de despedida à atual namorada — que não alertou as autoridades

No imediato, nem o pai, nem a companheira de Tomás percecionaram naqueles atos quaisquer indícios de que o homem tencionava cometer estes crimes — por isso é que só os relataram à polícia quando as autoridades os procuraram nas buscas pelas crianças. Mas os responsáveis pelo caso serviram-se destes comportamentos para descrever o suspeito como “complicada, urgente e narcisista”, indica o El Mundo.

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Já durante a noite do crime, entre as 22h30 e as 22h40, o homem contactou a ex-mulher, Beatriz, mãe das crianças, por duas vezes para lhe informar que não veria as filhas nunca mais. Nessa altura, Beatriz já estava na Guarda Civil para denunciar o sequestro parental, mas o pai das meninas já tinha atirado o corpo das meninas para o fundo do mar. O homem voltou para o porto às 23h30, tendo sido multado por falhar a hora do recolhimento obrigatório imposto pela Covid-19. Mas deve ter voltado logo depois para alto mar: o barco em que viajava foi encontrado à deriva no dia seguinte.

A partir da uma da manhã, Tomás começou a enviar mensagens de despedida aos amigos, distribuindo os bens materiais que possuía — uma mota, uma moto 4 e uma lancha — entre eles. Às 02h27 enviou a última mensagem, endereçada ao pai, pedindo-lhe desculpa e justificando que precisava de cometer aqueles crimes: “Lamento muito, lamento por ti mas preciso disto. Finalmente estarei bem e como quero”, dizia a SMS, citada pelo El Mundo.

A falha de Tomás que permitiu descobrir o corpo de Olivia

Mas o plano traçado por Tomás para depositar os corpos das filhas no fundo do mar tinha uma falha. Em busca de um local longínquo para largar os cadáveres, o pai das crianças escolheu uma região do oceano usada como um cemitério para embarcações velhas, julgando que todo aquele lixo impossibilitaria as buscas.

Por isso, atou à âncora do barco os sacos de ginásio nos quais tinha guardado os corpos das duas crianças e deitou-os ao mar. Mas a âncora acabou presa ao casco de um desses barcos velhos, algo que acabou por facilitar as buscas. A Guarda Civil convenceu o Instituto Nacional de Oceanografia a utilizar um barco equipado com um sonar durante as buscas e foi assim que encontrou o corpo de Olivia, a menina mais velha.

Mas o cadáver da bebé de um ano está por descobrir, assim como o paradeiro de Tomás. A polícia teoriza que o homem se pode ter suicidado em alto mar, já depois de se ter cruzado com os guardas que o multaram. Segundo o El Mundo, o último sinal emitido pelo telemóvel do homicida foi localizado pela Unidade Central Operativa a 20 quilómetros do local onde foi descoberto o corpo de Olivia, a 7 de junho. À medida que o tempo passa, desvanece-se cada vez mais a esperança de encontrar o de Anna.