Uma análise ao desempenho de Cristiano Ronaldo no jogo frente à Alemanha revelou que o avançado português atingiu os 32 quilómetros por hora quando atravessou o campo para marcar o primeiro golo da Seleção portuguesa. Ronaldo completou os 97 metros, entre a grande área portuguesa e a adversária, em 11 segundos. Três segundos depois, estava feito o primeiro golo português – e com duas desacelerações pelo meio.

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Neste momento (e pelo menos por enquanto), o título de pessoa mais rápida do mundo pertence a Usain Bolt, que no recorde atingido em 2009, na cidade alemã de Berlim, completou os 100 metros em 9,58 segundos – cerca de 37,4 quilómetros por hora. Mas numa entrevista ao The New York Times, o velocista jamaicano admitiu que Ronaldo deve ser mais rápido do que ele neste momento, “de certeza”.

O segredo para a velocidade de Cristiano Ronaldo está na região inferior do corpo, onde o futebolista reserva grande parte da energia e que resulta de uma confluência anormal de fatores – uma espécie de atleta tipo adaptado ao futebol, com as pernas longas de um velocista, o físico delgado de um atleta de meia distância e a estatura de um atleta de salto em altura.

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Isso mesmo ficou provado numa investigação que colocou o capitão português em confronto com o velocista espanhol Ángel David Rodríguez, um atleta olímpico capaz de percorrer 100 metros em 10,23 segundos. Ambos tinham de completar 25 metros o mais depressa possível — primeiro em linha reta, que é a praia de Ángel, depois em ziguezague, que é o estilo de Ronaldo.

Em linha reta, o velocista espanhol leva a melhor: completou os 25 metros em 3,31 segundos (cerca de 27,4 quilómetros por hora), evitou desperdícios de energia ao correr em linha reta e deu passos com 2,5 metros de comprimento. Cristiano Ronaldo precisou de 3,61 segundos (cerca de 24,8 quilómetros por hora), com muitos desvios pelo meio e muito desperdício de energia com o movimento dos braços.

Em ziguezague, no entanto, o futebolista deixou Ángel Rodríguez a comer pó: enquanto o velocista espanhol gastou 6,86 segundos a completar o desafio, Cristiano Ronaldo demorou menos meio segundo. O motivo é simples: o avançado madeirense costuma percorrer 10 quilómetros dentro de campo durante um jogo, mas quase nunca em linha reta. Aí, os passos mais curto de 1,70 metros são um trunfo.

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Em 2011, altura em que as medições corporais de Cristiano Ronaldo foram tornadas públicas, os números da parte inferior do corpo do futebolista justificavam este fenómeno. Nessa época, a coxa do atleta tinha 61,7 centímetros de diâmetro — muito mais do que a média —, mas os gémeos eram mais estreitos que o normal. É isso, no entanto, que lhe permite ser tão ágil e resistente ao mesmo tempo, a ponto de percorrer grandes distâncias a velocidades como as registadas este sábado.

Prova dessa capacidade é que, numa investigação feita há dez anos, Cristiano Ronaldo foi desafiado a saltar para determinar a força que conserva nas pernas. Se saltar sem a ajuda dos braços, com as mãos pousadas nas ancas, o atleta da Juventus não impressiona: o topo da cabeça eleva-se 44 centímetros e a força aplicada no chão é de apenas 1,5 vezes o seu próprio peso.

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Mas simulando uma situação como as que se verificam dentro de campo, a performance de Ronaldo melhora substancialmente. Impulsionando o salto com uma corrida em velocidade, o capitão da seleção portuguesa salta 78 centímetros — mais que um basquetebolista da NBA — e aplica no solo uma força tão grande como a experienciada por um astronauta nos primeiros segundos de um lançamento a partir da Terra: cinco vezes o próprio peso.

As sessões de treino que Cristiano Ronaldo mostra nas redes sociais mostram como uma parte substancial do trabalho de ginásio do avançado passa pelos exercícios com as pernas. Em 2019, isso tornou-se ainda mais evidente quando o futebolista aproveitou uma passagem por Lisboa para treinar a corrida em velocidade com um dos portugueses mais experientes na matéria: Francis Obikwelu, recordista nacional e europeu nos 100 metros (9,86 segundos). Aos 36 anos, o avançado continua a desafiar todos os limites físicos.