A halterofilista Laurel Hubbard foi selecionada pela equipa da Nova Zelândia para competir nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Até aqui nada de mais, até porque se trata de uma atleta experiente, que ainda em 2017 ganhou a medalha de prata nos mundiais e que consegui um sexto lugar em 2019 depois de uma grave lesão. Este nome não é notícia apenas pela qualificação em si, mas porque esta significa a primeira vez que um alteta transgénero compete nos Jogos Olímpicos.

Hubbard vai competir na categoria mais de 87 kg pela equipa feminina da Nova Zelândia, quando no passado já tinha participado em competições masculinas antes da transição, em 2013, e será a altelta mais velha em competição na modalidade. Num comunicado divulgado esta segunda-feira pelo Comité Olímpico do país, a atleta mostrou-se “grata” pela decisão e “o apoio dado por tantos neozelandeses”.

Em 2015, o Comité Olímpico Internacional definiu que qualquer atleta transgénero poderia competir como mulher desde que, nos 12 meses anteriores, os níveis de testosterona não ultrapassassem o limite definido (abaixo de 10 nmol/L).

Esta participação está longe de ser pacífica, já que há especialistas que apontam as vantagens competitivas que um atleta transgénero pode apresentar por ter passado pela puberdade masculina e ainda que mantenha a toma de medicamentos para controlar os níveis de testosterona. E isto devido às densidades óssea e muscular, que são decisivas na competição desportiva. Hubbard fez a transição aos 35 anos.

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A seleção olímpica neozelandeza considerou, no entanto, que Laurel cumpria os critérios para entrar na competição. “Reconhecemos que a identidade de género no desporto é uma questão altamente sensível e complexa exigindo um equilíbrio entre os direitos humanos e a justiça no campo”, afirmou o responsável Kereyn Smith assinalando a “forte cultura de inclusão e respeito por todos” da equipa nacional.