O Sindicato Independente dos Médicos está a enviar cartas aos autarcas do país a apelar para que contratem médicos para a vacinação e para as áreas dedicadas às doenças respiratórias, atividades que retiram diariamente 1.500 profissionais dos centros de saúde.

Em declarações esta quarta-feira à agência Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adiantou que as cartas são um ato de “desespero” e um “pedido de ajuda” aos autarcas de todo o país para contratarem profissionais para estas atividades de forma a libertar os médicos de família e outros profissionais dos centros de saúde.

Segundo Jorge Roque da Cunha, são cerca de 1.000 médicos de família que estão nas áreas dedicadas aos cuidados respiratórios e cerca de 500 que estão adstritos a acompanhar a vacinação.

Se multiplicarmos os 1.500 médicos por cerca de 2.000 utentes que cada um deles segue, isto quer dizer que todos dias há três milhões de portugueses que deixam de ter médico de família, que se juntam ao cerca de um milhão que não têm médico de família”, alertou.

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Roque da Cunha salientou a importância da vacinação decorrer com celeridade e de terem alargado o horário dos centros vacinação, mas defendeu que é preciso contratar profissionais para o fazerem.

“Alertámos, desde a primeira hora, que o prolongado e maciço desvio dos trabalhadores médicos especialistas dos cuidados de saúde primários das suas tarefas primordiais para assegurarem o apoio à importantíssima e fundamental operação nacional de vacinação contra o SARS-CoV-2 e para as áreas dedicadas às doenças respiratórias, iria prejudicar o acesso dos portugueses aos centros de saúde, aliás não só por falta de trabalhadores médicos, mas também pela de assistentes técnicos e de enfermeiros”, afirma o SIM na carta.

O SIM cita ainda na carta o coordenador da task force da vacinação, vice-Almirante Gouveia e Melo, que “reconheceu no parlamento a necessidade de contratar, desde logo para a operação nacional de vacinação contra a Covid-19, de mais de 400 trabalhadores médicos”.

O Ministério da Saúde ao não contratar médicos está a fazer com que as pessoas morram mais cedo, que haja diabéticos que ficam descompensados e, ao mesmo tempo, para que haja um descontentamento crescente das pessoas que não têm acesso aos seus médicos de família e mesmo às consultas indiretas, que são dezenas de milhares de mails por responder”, considerou Roque da Cunha.

Deu o exemplo do centro de saúde onde exerce em que foram retirados três administrativos para a vacinação e que estão com “mais de um mês de falta de resposta aos mails”.

Por isso, em desespero de causa, fazemos um apelo a todos os autarcas do país enviando uma carta para que nos ajudem”.

Roque da Cunha adiantou que este apelo aos autarcas, que têm mostrado “um grande empenho neste combate”, surge depois de já terem esgotado a “capacidade de solicitação junto do Ministério da Saúde”. “Enviámos sucessivos ofícios de inquietação e de denúncia fundamentada aos presidentes das cinco ARS, ao secretário de Estado Adjunto e da Saúde, à ministra da Saúde, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República e de nenhum recebemos qualquer resposta”, escreve o SIM na carta.