Marta Temido admitiu que as férias dos profissionais de saúde possam vir a ser canceladas: “Infelizmente, não há temas que possam ser afastados. Queremos muito que isso não aconteça. As pessoas estão cansadas, mas mais importante do que estarem cansadas, precisam de se dedicar a outras atividades”. A ministra da Saúde adiantou que tem férias previstas, mas não sabe se as poderá tirar: “Tenho a família em alerta. Estamos todos em alerta”.

Em entrevista à TVI24, a governante estimou que, se as quantidades de vacina continuarem a chegar, poderá ser possível “abrir na última semana de agosto a vacinação para menores de 18 anos″. “Precisamos de ser mais rápidos na vacinação”, considerou. Está ainda previsto que “em meados de setembro tenhamos cerca de 80% de pessoas com uma dose e cerca de 70% com as duas doses”. “Nesta luta contra o tempo, não podemos deixar a transmissão ser mais rápida que a vacinação”, acrescentou. Mas se o ritmo de infeções continuar, Portugal vai chegar aos 4.000 casos diários, com o número de internamentos “para lá dos 800” e os cuidados intensivos “para lá dos 150”.

Governo aponta para 4.000 infetados diários nas próximas duas semanas, duplicando a tendência de quase 2.000

A ministra da Saúde defendeu ainda que “não há desorientação” na estratégia de comunicação do Governo. “O que eu acho é que é muito difícil de comunicar: os assuntos são muitos e é fácil não conseguir explicar todos os pormenores”, justificou.

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Sobre o facto de António Costa ter ficado em isolamento apesar de já estar vacinado, lembrou que “a vacina serve para proteger de doença grave e para evitar a morte”. “Não significa que as pessoas, como qualquer outra vacina, não apanhem a doença. E sobretudo nós não sabemos ainda: estamos a falar de uma doença que apareceu no final de 2019 e de uma vacina que apareceu no final de 2020”, disse, acrescentando: “Ainda não temos a verdadeira noção sobre até quanto uma pessoa vacinada não é um transmissor, face sobretudo a uma nova variante”.

Governo estima começar vacinação para menores de 18 anos no fim de agosto

A ministra afastou ainda a hipótese de que a sua figura enquanto ministra da Saúde esteja desgastada: “Não. Pelo contrário: as reações que tenho das pessoas são de incentivo, apoio, entusiasmo”. “Eu quero dizer inequivocamente: o meu lugar pertence ao meu primeiro-ministro“, acrescentou. Garantiu que o seu lugar “claro que não” está à disposição: “Seria decente abandonar o barco no meio de uma tempestade como esta? Estou a pedir à pessoas para darem mais um pouco, ia-me eu embora?”