Os SUV estão na moda e daí que não espante que a Renault reforce a sua oferta deste tipo de veículos com a inclusão do Arkana. E logo no segmento C, aquele que mais vende na Europa. O novo modelo surge recheado de argumentos, ao assumir-se como um SUV com ar de coupé, graças à maior inclinação do pilar traseiro do tejadilho, e vai competir com o “velho” Kadjar, concebido com base no Nissan Qashqai e que está condenado a desaparecer.

Um dos grandes trunfos do Arkana é o seu ar esguio e desportivo, apontando armas aos condutores que querem um SUV, mas não desejam um modelo com aspecto lento e pesadão. A solução dos SUV coupé não é nova, mas até aqui era exclusiva das marcas de luxo, com a Renault a ser o primeiro construtor generalista a juntar-se à Audi, à BMW e à Mercedes. E se a receita funciona lindamente para os alemães, nada impede que resulte de igual forma para o SUV francês.

Maior do que o Kadjar, mas mais leve e mais largo

Outro dos trunfos do Arkana é o facto de ter sido construído sobre a plataforma CMF-B, a mesma que origina o Captur e o Juke, entre outros, o que faz dela uma solução extremamente interessante em matéria de custos, tal o volume de unidades que origina. Mas tem outras vantagens, para além dos custos, pois não só permite conceber versões mild hybrid e full hybrid, como permitirá, caso seja essa a vontade da marca (ainda não anunciada), fabricar uma versão híbrida plug-in.

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Comparativamente com o Kadjar, o Arkana é 10 cm mais comprido e 8 cm maior entre eixos, o que deixa antever um habitáculo mais generoso para quem se senta atrás. Mas se é maior, o Arkana é também mais leve, fruto de usar uma plataforma mais recente, pelo que em igualdade de motorização, pesa menos 100 kg quando colocado sobre a balança.

Ao maior espaço no habitáculo, especialmente em comprimento, o novo SUV coupé alia uma bagageira mais generosa, com 513 litros (valor que baixa para 480 litros na versão híbrida, devido à presença da bateria), superior aos 472 litros do Kadjar.

Motores só a gasolina e híbridos

O Arkana já está disponível no nosso país só com motores a gasolina e híbridos. Para já, no lançamento, há dois tipos de motorizações, sendo um deles um mild hybrid a 12V, tecnologia simples que permite retirar umas décimas de litro ao consumo médio. Referimo-nos ao motor sobrealimentado TCe de 140 cv, com quatro cilindros e 1333 cc, que é ajudado por um pequeno motor eléctrico alimentado por uma bateria com 0,13 kWh, que dá uma ajuda mínima ao motor a gasolina, actuando ainda como motor de arranque e de alternador.

A segunda motorização é o E-Tech Híbrido, um full hybrid (HEV) similar ao que já existe no Clio e Captur. Esta unidade concilia um motor a gasolina atmosférico com 94 cv e 148 Nm, a funcionar segundo o ciclo Atkinson para ser mais eficiente. Acoplado a ela está a caixa de velocidades automática desenvolvida pela equipa da Renault F1, com três relações mecânicas e cinco moduladas electricamente, o que perfaz um total de 15 mudanças. Um motor eléctrico com 49 cv e 205 Nm ajuda o motor de combustão, enquanto um segundo motor eléctrico, este com 20 cv e 50 Nm, modula a caixa e cria a mudanças virtuais. Este E-Tech Híbrido fornece no acumulado 145 cv, anunciando 172 km/h de velocidade máxima e 10,8 segundos de 0-100 km/h. A grande vantagem desta mecânica reside nos consumos, anunciando em ciclo combinado 4,9 litros, a que equivalem emissões de 111 g/100 km de CO2, valores que permitem equiparar este motor híbrido a uma mecânica diesel em termos de custos de utilização, com o mesmo nível de potência.

Ainda este mês chegará uma versão mais potente do motor mild hybrid, com o mesmo 1,3 litros turbo, mas com 160 cv – mais 20 cv do que a versão mais acessível. Estão ambos acoplados a caixas automáticas de dupla embraiagem e sete velocidades, o que faz do Arkana o primeiro modelo da Renault que não monta caixas manuais. É altamente provável que, muito em breve, tal como aconteceu noutros modelos da marca com a mesma plataforma, o SUV coupé venha a estar igualmente disponível com motor híbrido plug-in (PHEV), cuja mecânica é similar no motor de combustão e na caixa de velocidades de 15 relações, apesar de os dois motores eléctricos passarem de 49 cv para 67 cv no principal e de 20 cv para 34 cv, o que eleva a potência conjunta para 160 cv.

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Também há diferenças na bateria, que além de passar a ser recarregável, vê a sua capacidade subir de 1,2 kWh para 9,8 kWh, o que lhe deverá assegurar a capacidade de percorrer cerca de 50 km em modo eléctrico. A Renault ainda não confirmou a chegada desta versão PHEV, mas tão pouco negou o seu potencial ou a facilidade com que poderá passar à produção em série, num modelo que é produzido na Coreia do Sul, na mesma linha que também fabrica o XM3, o SUV Coupé idêntico da Samsung Motors, marca que pertence ao Grupo Renault.

E-Tech Híbrido é mais caro, mas mais interessante

Das duas versões actualmente disponíveis do Arkana, o equipado com motor 1.3 TCe 140 é ligeiramente mais barato (1500€) do que o E-Tech Híbrido 145 e até ligeiramente mais rápido (0-100 km/h em 9,8 segundos, em vez de 10,8 segundos) e consideravelmente mais veloz (205 km/h contra 172 km/h). Contudo, tradicionalmente o mercado favorece os full hybrid, pelas vantagens que garantem em termos de consumo, emissões e custos de utilização. Daí que a nossa opção tenha recaído no Arkana E-Tech Híbrido 145, ao volante do qual percorremos aproximadamente 300 km.

A primeira surpresa foi constatar que o novo SUV coupé é maior e mais atraente do que o esperado. Uma vez lá dentro, o modelo surpreende pela qualidade dos materiais e acabamentos, parecendo sólido e não produzindo ruídos parasitas. Níveis de acabamentos e equipamento há três, respectivamente Business, Intens e RS Line, com o Arkana a recuperar o ecrã central vertical e o sistema Multisens, a que alia um painel de instrumentos digital e uma série de equipamento, de onde se destaca o cruise control adaptativo e o sistema de lane centering, entre outras ajudas à condução (conheça aqui o equipamento opcional).

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Nos primeiros quilómetros, percorridos em regime semi-urbano e a velocidade civilizada, o Arkana recordou-nos que arranca em modo eléctrico e assim continuou na maioria do tempo, sempre que o ritmo foi normal e nada desportivo. É aqui que surgem as grandes vantagens no consumo, onde é fácil rodar com médias de 3 litros, impossíveis de igualar num motor a gasóleo. Foi também nesta fase que confirmámos que as vias mais largas e o menor peso tornam mais eficaz o comportamento deste SUV, aproximando-se de um automóvel.

Em auto-estrada, a 90 km/h, o Arkana E-Tech Híbrido rodou a uma média de 4,8 l/100 km, valor que subiu para 6,5 litros a 120 km/h, sendo que a grande vantagem dos sistemas híbridos é a circular em cidade. A rodar em condições normais, a caixa E-Tech é suave e silenciosa, o que é menos evidente em ritmo desportivo, tipo de condução que esta versão do Arkana aceita, mas não é a sua praia.

A partir de 31.600€ sempre com caixa automática

A versão mais acessível do Arkana monta o motor 1.3 TCe 140 mild hybrid associado a uma caixa EDC7, sendo proposta por 31.600€ na versão Business, valor que aumenta 2100€ para as especificações Intens (33.700€) e mais 2600€ para a RS Line (36.300€). São valores competitivos, em termos absolutos e, ainda mais, se considerarmos que todas as versões estão equipadas com caixa automática de dupla embraiagem, que neste segmento obriga a um investimento adicional entre 1000€ e os 1500€ (veja aqui os preços das diferentes versões).

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O Arkana E-Tech Híbrido 145 propõe a sua versão Business por 33.100€, mais 1500€ do que a versão mild hybrid com 140 cv. O Intens obriga a um investimento de 35.200€, para o RS Line ser o mais dispendioso, comercializado por 37.800€.

Resta conhecer a reacção do consumidor português ao primeiro SUV coupé de uma marca generalista. Mas, a avaliar pelas 10.000 encomendas que reuniu ainda antes de chegar ao mercado, é (altamente) provável que este seja um dos próximos best-sellers do construtor.