Chegou com tempo para fazer tudo com calma, mas a antecedência de pouco serviu. Feitas as contas ao final de um dia de espera, Miguel Marques passou 7 horas em filas no Aeroporto de Lisboa e acabou a perder o voo para São Tomé e Príncipe. A confusão e os atrasos eram sentidos essencialmente na zona dos passaportes. O motivo? A greve dos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), marcada para o dia em que o Parlamento debateu e aprovou a proposta do Governo que extingue este serviço de segurança.

Greve dos inspetores do SEF com adesão de 100%

Aos microfones da rádio Observador, Miguel Marques relatou o caos a que assistiu e até o momento em que teve de ajudar uma senhora, diabética, que se sentiu mal. Não foi a única e à medida que os passageiros iam percebendo que não iam conseguir chegar ao seu destino, os ânimos exaltaram-se. Miguel Marques conta que depois de ter perdido o seu voo, teve de começar tudo do início e trocar uma fila por outra. No final do dia, os quilómetros que andou foram apenas em filas que não o ajudaram a chegar onde pretendia.

Ouça aqui o depoimento de Miguel Marques que esteve mais de sete horas à espera e perdeu o voo para São Tomé e Príncipe. 

Filas no Aeroporto de Lisboa. “Passei sete horas à espera”

Em resposta ao Observador, a ANA — Aeroportos de Portugal confirmou que a greve levou a constrangimentos no controlo de fronteira do Aeroporto de Lisboa. “Desde as 6h que foram registados tempos de espera bastante elevados no controlo de fronteira da área das chegadas, atingindo as 4 horas.”

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Para evitar maior aglomeração de passageiros no terminal, o aeroporto conteve o desembarque de alguns voos durante a manhã e foram reforçadas as equipas da ANA para prestar apoio aos passageiros. “Foi distribuída água, bolachas e também esteve presente no local uma equipa do posto de socorro do aeroporto.”

Segundo a ANA, a situação melhorou e os tempos de espera para controlo do SEF ficaram abaixo de uma hora para quem chega.

Nas redes sociais, foram vários os passageiros que deram conta das filas e dos tempos de espera.

A greve foi convocada pelo Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF) em resposta à proposta de lei do Governo que define a passagem das competências policiais do SEF para a PSP, GNR e PJ.

A Assembleia da República acabou por aprovar na generalidade o diploma com os votos favoráveis do PS e da deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, abstenção do BE e do PAN e votos contra de PSD, PCP, CDS-PP, Chega, PEV, Iniciativa Liberal e da deputada não inscrita Cristina Rodrigues.