A vasta maioria da desinformação online e das teorias conspirativas em torno da Covid-19 propaga-se por milhões mas tem origem em apenas 12 pessoas.

A conclusão é de um relatório do Centro para o Combate ao Ódio Digital, uma organização sem fins lucrativos com escritórios em Londres e Washington que agregou as informações falsas e as teorias de conspiração partilhadas online e descobriu que, até março deste ano, 65% das publicações com essas características publicadas nas redes sociais Facebook e Twitter tinham origem nesse grupo de 12 pessoas.

A organização sem fins lucrativos investigou a origem de 812.000 publicações partilhadas no Facebook e Twitter, refere o jornal britânico The Guardian. Se a análise for circunscrita ao Facebook, 73% das publicações que põem em causa a segurança da vacinação foram publicadas pela primeira vez por um elemento desse grupo.

Ao todo, as 12 pessoas em causa têm um conjunto combinados de 59 milhões de seguidores nas múltiplas redes sociais, sendo que é na rede social Facebook que o alcance é maior. Entre as personalidades em questão estão “médicos que abraçaram a pseudo-ciência, um bodybuilder, uma blogger de beleza e bem-estar, um fanático religioso” e uma personalidade famosa, segundo o jornal britânico The Guardian: Robert F Kennedy Jr., sobrinho do antigo presidente dos Estados Unidos da América John F Kennedy.

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A conta oficial no Instagram (rede social detida pelo Facebook) do sobrinho do antigo Presidente dos EUA, que foi assassinado a 22 de novembro de 1963, já foi entretanto removida mas o perfil do familiar de John F Kennedy no próprio Facebook não o foi. Segundo o diário britânico, Roberto F Kennedy Jr. especializou-se em estabelecer uma ligação entre a vacinação e problemas de saúde como o autismo e o 5G.

No relatório agora tornado público, o presidente do Centro para o Combate ao Ódio Digital, Imran Ahmed, critica as medidas “insuficientes” e “pouco eficazes” de plataformas como o Facebook, Google e Twitter para travar a desinformação online sobre a Covid-19. O documento vinca aliás que, até março, 95% das publicações com informações falsas sobre o novo coronavírus partilhadas nestas plataformas não tinham sido removidas.