Keigo Oyamada, mais conhecido por Cornelius, demitiu-se do cargo de compositor da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio após ter admitido ter feito bullying, há varios anos, a colegas de escola, incluindo uma criança com deficiências cognitivas.

Quando a polémica “rebentou”, Oyamada pediu desculpa pelo sucedido e os organizadores dos Jogos ainda aceitaram e disseram que iam continuar o trabalho em conjunto, mas todos acabaram por mudar de ideias.

Em causa está o surgimento de entrevistas do músico ainda na década de 1990, nas quais relata o que fez.

Segundo o Guardian, Oyamada disse à revista Quick Japan, no ano de 1995, que fechou um colega numa caixa de cartão e obrigou outro, com deficiências cognitivas, a comer as próprias fezes e a masturbar-se em frente de outras crianças. Já tinha feito comentários semelhantes noutra revista um ano antes.

“Aceito sinceramente as opiniões e os conselhos que recebi. Expresso a minha gratidão e vou ter isso em conta nas minhas futuras ações e pensamentos. Peço desculpa do fundo do coração“, disse o artista de 52 anos nas redes sociais.

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No passado sábado, Keigo Oyamada pediu desculpa pelo seu trabalho nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos “fazer tanta gente sentir-se desconfortável”. Contudo, não se demitiu, acrescentando no seu site: “Nos meus dias de escola e na altura das entrevistas eu era muito imaturo e não imaginava com as vítimas se sentiam”. Mais uma vez, não mostrou desejo de deixar o seu trabalho nos Jogos Olímpicos.

A organização das olimpíadas condenou em primeiro lugar a situação, não acabando com a ligação a Oyamada, mas esta segunda-feira informou que este comportamento era “absolutamente inaceitável”. “À luz das desculpas sinceras [de Oyamada], expressámos estar disponíveis para continuar o Sr. Oyamada a continuar o seu trabalho no pouco tempo que resta para preparações da cerimónia de abertura. No entanto, chegámos a conclusão que essa decisão foi errada e decidimos aceitar a sua demissão. Expressamos as nossas sinceras desculpas pelas ofensas e confusão causada durante este tempo”, refere a organização.

A demissão de Oyamada e a polémica em torno da mesma são apenas mais uma pedra no sapato dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Noutro caso, recentemente a Toyota, um dos grandes patrocinadores dos Jogos Olímpicos, decidiu este ano não ter anúncios relacionados com as olimpíadas na televisão e não vai enviar nenhum responsável à cerimónia de abertura.

Já em fevereiro, o antigo presidente do comité de organização, Yoshiro Mori, foi obrigado a demitir-se depois de comentários sexistas sobre mulheres nos cargos de gestão no desporto. E, no mês seguinte, foi Hiroshi Sasaki, diretor criativo da cerimónia de abertura, a fazer comentários depreciativos sobre a celebridade Naomi Watanabe.