Enquanto a pandemia se encontrava num dos maiores picos de contágio em Downing Street, local onde se encontra o gabinete do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson insistiu em visitar a Rainha Isabel II, ignorando o facto de que, com 93 anos, fazia parte do grupo mais vulnerável à Covid-19.

Dominic Cumming, ex-conselheiro do primeiro-ministro britânico, revelou à CNN detalhes da forma como Boris Johnson foi afastado da Rainha e dos seus habituais encontros semanais numa fase crítica da pandemia no Reino Unido, em março de 2020.

Acusado de pôr os seus interesses à frente dos da população, nomeadamente após as polémicas declarações de que preferia ver corpos empilhados a impor um novo confinamento, o primeiro-ministro foi aconselhado por Cumming a não realizar o encontro. E assim aconteceu.

Boris Johnson nega ter dito que preferia “corpos empilhados” a novo confinamento

Ainda assim, o ex-conselheiro de Johnson não se furtou a criticar o chefe do governo britânico em conversa com a CNN. “Ele não queria aplicar um segundo confinamento no Outono do ano passado porque as pessoas que estavam a morrer tinham, na sua maioria, mais de 80 anos”. “A preocupação com a saúde da Rainha foi posta de parte perante os seus interesses, bem como a de todos os cidadãos britânicos idosos”, acrescentou Cumming.

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Um porta-voz de Downing Street saiu em defesa de Boris Johnson perante estas declarações e elogiou o seu trabalho. Afirmou que sem a rapidez de vacinação que o primeiro-ministro impôs, sem o programa social que estabilizou os níveis de desemprego, sem a sua visão prática da pandemia e sem a sua preocupação para com a vida dos cidadãos britânicos orientada pelos melhores conselheiros científicos, os impactos teriam sido bastante mais danosos para o povo britânico.

Apesar de ter sido posta em causa a capacidade de Boris Johnson  no combate à pandemia do novo coronavírus, as críticas de Cummings parecem não ter tido impacto negativo sobre a popularidade do líder do Partido Conservador nas sondagens.