As três maiores distribuidoras de medicamentos dos EUA e a farmacêutica Johnson & Johnson chegaram a acordo com os advogados que representam vários estados do país para o pagamento de 26 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros) em troca do fim de todos os processos, relacionados com opioides, movidos contra eles.

Em causa estão cerca de 3.000 processos interpostos por estados norte-americanos, condados, cidades e tribos nativas, contra os distribuidores, que falharam na monitorização de entregas suspeitas, e as farmacêuticas, por terem incentivado o uso dos opioides como medicamentos para as dores e por terem desvalorizado os riscos do vício gerado pelo uso do medicamento, lembra o STAT News.

Agora, os governos de cada estado tem 30 dias para aceitar (ou não) o acordo, depois mais 120 dias para os governos locais o fazerem. Se não fizerem ou não fizerem em número suficiente, as empresas podem rejeitar o acordo ou dar menos dinheiro do que previsto.

A crise dos opioides e o apoio decisivo a Trump

Nesta negociação ficaram de fora as tribos nativas, que terão um acordo separado, segundo o jornal The New York Times. A chamada crise dos opioides já matou mais de meio milhão de pessoas nos Estados Unidos desde 1999.

Um comprimido, uma família poderosa e quatro horas de documentário: será este o crime do século?

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

De fora deste processo ficou também a Purdue Pharma, dona do medicamento OxyContin, e tida como uma das desencadeadoras desta crise. A empresa da família Sackler abriu um processo de insolvência e planeia oferecer 4,3 mil milhões de dólares para compensar as famílias das vítimas e governos locais, mas em troca quer imunidade de futuros processos relacionados com a crise dos opioides.

As quatro empresas que se preparam para assinar o acordo de 26 mil milhões de dólares não vão indemnizar as famílias das vítimas mas, sim, os estados e governos locais pela crise de saúde pública gerada.

O acordo, que foi negociado durante dois anos, define como devem ser usados os fundos: investimento em programas de saúde local, usar a melhor evidência científica para usar o dinheiro, investir na prevenção do vício entre os jovens, apostar na igualdade racial e desenvolver um processo de decisão justo e transparente.