Representantes dos governos dos Estados Unidos e do Iraque estão a finalizar um plano para a retirada das forças de combate norte-americanas do território iraquiano até ao final do ano, adiantaram na quinta-feira meios de comunicação locais.

O The Wall Street Journal e o Politico, que citam fontes ligadas aos governos que falaram sob anonimato, revelam que os norte-americanos irão manter apenas uma presença consultiva a nível militar no país do Médio Oriente.

Segundo o plano, um número ainda desconhecido de militares dos EUA deverá manter-se no Iraque indefinidamente, reforçando o apoio consultivo e logístico, mas também militar, como na força aérea ou nas divisões de inteligência e vigilância, na luta contra o Estado Islâmico. Os dois países pretendem anunciar esta mudança na segunda-feira, durante a visita do primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al Kazemi, à Casa Branca, para o encontro com o Presidente norte-americano Joe Biden.

Ataque a várias bases aéreas e embaixada dos EUA no Iraque e Síria

“Não precisamos de mais combatentes. O que precisamos? De cooperação no campo da inteligência, de ajuda no treino e na força aérea”, sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque, Faud Hussein, em entrevista ao Wall Street Journal. O porta-voz da diplomacia dos Estados Unidos, Ned Price, recusou-se a confirmar a notícia, embora tenha referido que as atividades militares dos norte-americanos no Iraque vão estar “em cima da mesa” no diálogo estratégico que se realiza sábado em Washington entre altos funcionários dos dois países.

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As fontes dos jornais acrescentam que o número de militares destacados no Iraque não irá provavelmente mudar, mantendo-se nos 2.500, mas que até ao final do ano as forças de combate vão ser substituídas por outros militares com missão consultiva. O Wall Street Journal também salienta que este acordo procura aliviar a pressão que o líder iraquiano está a sofrer pelas fações xiitas mais extremistas, que desejam ver terminada a presença militar dos EUA.

Este acordo pode marcar nova mudança na presença militar norte-americana no Iraque, onde se encontra há 18 anos, e surge poucos dias depois de Mustafa al Kazemi ter apontado, em entrevista ao Washington Post, que o seu país não precisava mais dos militares dos EUA. Este previsível acordo de retirada de tropas acontece poucos dias depois de um ataque do Estado Islâmico a um mercado em Bagdade que causou pelo menos 30 mortos e 60 feridos.