A base é o Chiron, a estética é muito distinta (não há um painel da carroçaria que não tenha sido mudado), a mecânica mantém-se, mas a produção foi limitada a 40 unidades e isso bastou para fazer disparar o preço de cada exemplar do Bugatti Divo para um valor que arranca nos 5 milhões de euros, antes de impostos, quando o superdesportivo que lhe serve de base custa metade. Mas o que é um entrave para uns, para outros é mais aliciante e a prova disso é que, conforme acaba de revelar a Bugatti, esta série limitada que agora chega ao fim foi vendida em poucas semanas.

“Ao ver o Divo pela primeira vez, o feedback de cada cliente foi extremamente positivo”, recorda o director de Vendas e Operações da Bugatti, Hendrik Malinowski, acrescentando que a série esgotou numa “questão de semanas” depois de estabelecidos os primeiros contactos. Isso aconteceu antes mesmo de o Divo ser revelado ao público, na edição de 2018 do Concours d’Elegance em Pebble Beach, Monterey, no estado norte-americano da Califórnia.

Bugatti Divo é um Chiron que abusou dos esteróides

Mas foram precisos três anos para colocar na rua todos os exemplares vendidos na Primavera de 2018, tal a meticulosidade que envolve cada unidade. Um período invulgarmente longo que se justifica por duas razões. Por um lado, porque o facto de se tratar de uma produção mínima não liberta o fabricante de nela colocar “o mesmo grau de desenvolvimento de uma produção maior”, conforme assevera o chede de Desenvolvimento da Bugatti, Pierre Rommelfanger. Por outro, porque este tipo de cliente é dado à personalização extrema e a marca francesa trata de realizar todos os seus desejos. O processo foi especialmente complexo, pois houve proprietários que chegaram a demorar um ano a configurar o seu Divo.

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A entrega das primeiras unidades iniciou-se em Agosto do ano passado e agora, passado praticamente um ano, chegou ao fim da linha o exemplar número 40. A última unidade destina-se a um cliente europeu, mas antes da entrega teve direito a uma sessão fotográfica à saída do Atelier de Molsheim, à laia de encerramento de um (próspero) ciclo.

O proprietário, cuja identidade não foi revelada, optou por evocar no Divo 40 o último carro oficial da Bugatti a disputar Le Mans, escolhendo para a carroçaria um primário EB 110 LM Blue que contrasta com um outro azul com textura de fibra de carbono, daí que seja denominado Blue Carbon. No interior, a mesma “onda” azul, com muita pele e Alcântara a garantirem um toque refinado.

Tal como o Chiron, o Divo é impulsionado pelo impressionante W16 de 8,0 litros com 1500 cv e 1600 Nm de binário, soprado por quatro turbocompressores. Só que para esta série, além do design exclusivo, a Bugatti preocupou-se em conferir ao superdesportivo uma filosofia mais orientada para a agilidade e a eficácia em curva, daí o maior apoio aerodinâmico e a limitação da velocidade máxima a 380 km/h. Mas os 0 a 100 km/h continuam a ficar para trás ao fim de 2,4 segundos.