O BCP teve lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, menos 84% do que no mesmo período de 2020, divulgou esta segunda-feira o banco. Segundo a apresentação de resultados, as contas entre janeiro e junho são impactadas pelo reforço de 214,2 milhões de euros nas provisões para perdas relacionadas com créditos em francos suíços concedidos na operação do BCP na Polónia.

Os resultados incluem ainda 87,2 milhões de euros de custos de reestruturação em Portugal. O BCP tem em curso um plano de reestruturação em que poderá reduzir até 1.000 trabalhadores, segundo estruturas sindicais.

BCP tinha em junho 7.336 milhões em moratória

O BCP tinha 7.336 milhões de euros em créditos com moratórias no final de junho, menos 15,5% do que no final de 2020, segundo a informação esta segunda-feira divulgada na apresentação das contas do primeiro semestre. Já face a março de 2021, a redução no montante de créditos com moratórias é de 8,1%.

Do valor de créditos com moratórias (suspensão de pagamento de capital e/ou juros), 4.067 milhões de euros eram referentes a crédito a empresas e 3.269 milhões de euros a crédito a particulares/famílias. Do total de crédito a famílias com moratórias, 98% é crédito hipotecário (sobretudo crédito à habitação).

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Segundo o BCP, 91% dos créditos com moratórias ativas estão em situação regular, sendo o restante crédito em que os clientes têm problemas em pagar a dívida. As moratórias que terminaram desde março de 2021, diz o BCP, não tiveram “impacto material” no crédito em incumprimento.

A maior parte das moratórias termina em setembro, sendo aí a grande preocupação sobre como vão famílias e empresas reagir à obrigação de terem de voltar a pagar os empréstimos numa situação económica ainda muito difícil.

Questionado sobre o prolongamento das moratórias para alguns clientes (após setembro), Miguel Maya considerou positiva uma solução que “ajude a mitigar problemas”, mas disse que de momento o banco sabe muito pouco e que é fundamental que conheça os detalhes dessas medidas “tão cedo quanto possível para trabalhar com tempo e desenhar com os clientes as soluções”.

Na semana passada, o Presidente da República promulgou o decreto parlamentar que prolonga as moratórias bancárias, que terminam no final de setembro, até 31 de dezembro, na componente de reembolso de capital, para particulares e empresas de setores especialmente afetados pela pandemia de Covid-19.

Em 13 de julho, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, anunciou que o Estado vai garantir 25% do crédito sob moratória às empresas dos setores mais afetados pela pandemia que acordem com os respetivos bancos uma reestruturação da dívida após o final das moratórias, em 30 de setembro.

“Uma garantia pública significa que, nesta parte do crédito que está garantido, os bancos não têm que comprometer o seu capital e sabem que, se correr mal, o Estado paga”, disse Siza Vieira.

Segundo avançou o ministro, do stock atual de crédito às empresas em moratória de cerca de 24 mil milhões de euros, o Governo estima que 8.000 milhões de euros correspondam a crédito de empresas dos setores mais afetados e que cerca de “dois terços” deste stock venha efetivamente a precisar de recorrer à garantia de Estado com vista à sua restruturação.

Ainda segundo a informação nesta segunda-feira divulgada, no final de junho, o BCP tinha 2.642 milhões de euros em crédito concedido ao abrigo das linhas Covid-19 (a maioria com garantia de Estado), mais 16,8% do que no final de 2020.

O banco indicou que estas linhas de crédito estão distribuídas por mais de 18 mil clientes e que, no final de junho, este crédito representava 7% da carteira de crédito total da atividade em Portugal.

Notícia atualizada às 22h28 do dia 26