Enviado especial do Observador, em Tóquio

“Com a Suécia, aí, já não vai haver a questão do jet lag“. No final do sofrido triunfo diante do Bahrain, Paulo Pereira explicava que o melhor remédio para superar os erros invulgares em catadupa da Seleção nos primeiros dois jogos era apenas ter paciência. “Muita paciência”, reforçou por mais do que uma vez. E foi também com essa paciência que Portugal conseguiu a sua primeira vitória, na antecâmara de um encontro radicalmente diferente com a Suécia, adversário bem conhecido e com quem a Seleção conseguiu um dos resultados mais relevantes da sua história no Europeu de 2020. “Vai ser uma partida diferente”, garantiu o treinador. E foi mesmo.

Tal como Paulo Pereira tinha vaticinado, o facto de pela primeira vez cruzar com outra equipa europeia colocou Portugal mais próximo do seu jogo, a defender e a atacar. A Suécia até pode ser no plano teórico mais forte do que Egito e Bahrain mas, em termos de encaixe de estilos, permitia resgatar as melhores características que os Heróis do Mar foram consolidando nos últimos anos. No entanto, e apesar desse aproximar a identidade da equipa, a Seleção não conseguiu dar continuidade aos bons 35 minutos que fez, acabando por perder diante dos atuais vice-campeões mundiais por 29-28 e continuando sem garantir a passagem aos quartos do torneio, onde já estão Dinamarca e Suécia, que somam por triunfos os três encontros disputados até ao momento.

Com Gustavo Capdeville a aparecer de início na baliza e Salina como pivô tendo André Gomes, Rui Silva e João Ferraz na primeira linha, Portugal teve um arranque de jogo bem mais conseguido, a defender melhor e a ter uma alternância de soluções ofensivas que permitiu chegar rapidamente ao 3-0, vantagem que se diluiu nos três minutos seguintes muito por culpa de duas exclusões de João Ferraz logo a abrir, que não só condicionou a parte estratégica defensiva como possibilitou aos escandinavos passar para a frente com um sete metros de Wanne. Com dez minutos cumpridos, a Seleção empatava a cinco, com Paulo Pereira a pedir um desconto de tempo e Capdeville a travar um livre de sete metros, possibilitando nova vantagem nacional com 6-5 (11′).

O terceiro encontro da fase de grupos trouxe aquele que foi o jogo mais “normal” nos Jogos até agora. Com os momentos de supremacia divididos, com encaixes táticos mais habituais, com Paulo Pereira a testar a surpresa que estava preparada e que passava também por jogar em 7×6. Por coincidência, esse plano nem correu da melhor forma, com Portugal a falhar as duas ações ofensivas em superioridade, mas um período conseguido de cinco minutos com um parcial de 4-0 permitiu pela primeira vez à Seleção ficar com três golos de avanço (13-10). A entrada no Yoyogi National Stadium da equipa feminina sueca de andebol parecia ter dado sorte sobretudo a Portugal, mas um final mas forte dos escandinavos levou tudo empatado para o intervalo (14-14).

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Ao contrário do que se passava com a Suécia, que tinha nove dos 14 golos entre o ponta Niclas Ekberg e o lateral Albin Lagergren (Jim Gottfridsson, a grande referência da equipa, conseguiu ser bem anulada pela estratégia defensiva nacional), Portugal teve em 25 minutos um total de dez jogadores diferentes a marcar pelo menos um golo, relevando por aí também a variedade de soluções para desmontar a defesa sueca. A segunda parte tinha início com tudo em aberto, voltando a aposta no 7×6 a procurar uma de três soluções de remate entre entrada do primeira linha, jogo com pivô ou entrada na ponta. Foi assim que Portugal chegou ao 18-16, ficando depois por alguns segundos com mais um antes de nova exclusão de André Gomes e um empate a 19 com oito minutos.

A mesma paciência que Paulo Pereira teve nos dois primeiros encontros era a paciência os jogadores nacionais necessitavam nos derradeiros 20 minutos de uma partida que, em caso de triunfo, seria um passo fundamental para a passagem aos quartos e com capacidade de discutir um lugar cimeiro. A paciência falhou durante quatro minutos, permitindo que a Suécia chegasse ao 22-20 com um parcial de 3-0 que levou a abdicar do 7×6 ofensivo. A paciência voltou depois no ataque organizado, com a criação de boas oportunidades de remate que só não levou a uma redução da desvantagem pelos ataques rápidos conseguidos pelos suecos. A paciência não teve a capacidade de manter Gottfridsson fora de jogo, com Portugal a perder pela primeira vez por três (27-24) e a ver depois Palicka defender dois remates aos seis metros de Alexis Borges que fecharam por completo as contas apesar da reação que permitiu ainda à Seleção ter o último ataque para empatar em 7×6 com 20 segundos.