Enviado especial do Observador, em Tóquio

Não é a mesma coisa, isso é certo. Não é a mesma coisa acordar e sair logo à rua antes das nove da manhã no primeiro dia de agosto em Portugal ou em Tóquio. Não é a mesma coisa ao sol, à sombra, onde quer que seja. No caso do andebol, jogado num imponente Yoyogi National Stadium que tem todas as melhores condições mesmo sendo o recinto com mais anos de existência entre aqueles que estão nos Jogos, o problema não era o calor nem a humidade mas sim o horário, completamente fora daquele que a Seleção de andebol encontrou nos primeiros quatro encontros da fase de grupos, com um às 11h30 (Suécia) e os outros a uma hora “normal” (19h30).

“Jogamos sempre para ganhar, sabendo que empate pode chegar… A mim o que me assusta um pouco é jogar contra japoneses às 9h. Neste caso, nós, portugueses, a jogar contra japoneses às 9h. Espero que todos consigam reagir bem. Faz parte do calendário, sabíamos que ia ser assim. Estamos a tentar mudar as coisas para não sofrer tanto impacto num jogo chave para nós. Acordar às 6h, tomar o pequeno almoço e jogar às 9h…”, destacara na antevisão o selecionador Paulo Pereira, conhecendo também a importância da partida contra uma formação nipónica que perderam os quatro jogos iniciais mas sempre deixando uma imagem positiva em campo.

Até se poderia admitir que a questão do horário faria diferença. E até se poderia admitir que a intensidade dos jogos não permitiria o descanso total mesmo em dias alternados. No entanto, e depois de uma primeira parte em que Portugal cometeu demasiados erros, a equipa recuperou no segundo tempo, teve dois golos de vantagem na pior fase do Japão mas não soube aproveitar o momento para segurar como seria de esperar a qualificação para os quartos. Se a participação do andebol nos Jogos foi histórica, os cinco jogos com apenas uma vitória e um total de quatro derrotas acabam por saber a pouco e não fazem jus ao caminho dos Heróis do Mar até Tóquio.

Portugal teve um início melhor de jogo mas, a partir dos cinco minutos quando o Japão passou para a frente do resultado, não mais voltou a liderar até ao intervalo, embora chegasse empatado a nove aos últimos dez minutos com muito trabalho com os pivôs em ações, bem mais do que nas partidas anteriores. Depois, um parcial de 5-2 em sete minutos e meio colocou o conjunto da casa na frente com três golos de avanço, reduzidos nos segundos finais com um remate de Rui Silva que fez o 14-16 para o Japão com que se atingiu o descanso.

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O segundo tempo começou com as mesmas características mas com Portugal a conseguir estar cada vez mais confortável no encontro, fazendo prevalecer o favoritismo teórico frente a uma equipa de luta mas que não tinha os mesmos argumentos técnicos e táticos da Seleção. Apareceu depois Humberto Gomes, que nos jogos iniciais não tinha conseguido fazer a diferença mas que foi fundamental ao manter a baliza fechada durante oito minutos para um parcial de 4-0 que colocou os comandados de Paulo Pereira na frente por dois golos (22-20). A vantagem parecia ser suficiente mas os últimos minutos tornaram-se fatídicos sobretudo depois da exclusão de Gilberto Borges, com Portugal a não conseguir mais do que reduzir os números da derrota para 31-30, que torou também o Japão dos quartos e acabou por colocar o Bahrain a jogar já qualificado diante do Egito.